Tiago Queiroz/AE
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'O cara teve de tudo', diz tio de acusado de matar a mãe

Kléber Galasso Gomes, de 22 anos, confessou ser assassinado a mãe a facadas; primeira vesão é de que ela teria morrido ao tentar defendê-lo de assalto

William Cardoso, O Estado de S. Paulo

17 de fevereiro de 2012 | 23h38

Os tios de Kléber Galasso Gomes, de 22 anos, afirmaram nesta sexta-feira que não sabem o que levou o sobrinho a matar a própria mãe, a executiva Magda Aparecida Gomes, de 53 anos, com 17 facadas, no último sábado, em Perdizes, na zona oeste da capital. Eles disseram que o estudante era uma pessoa normal. "Para ela, ele sempre foi o Klebinho", diz a cunhada de Magda, a consultora Márcia Galasso, de 49 anos.

Segundo os tios, ninguém desconfiava que Kléber fosse o responsável pela morte. No início, o rapaz dizia que ele e a mãe foram vítimas de um assalto no apartamento da Rua Apinajés. Depois, confessou que um rapaz que havia convidado para ir ao apartamento desferiu o primeiro golpe e ele os demais. A ideia inicial era dar um susto na executiva, que era tida pelo filho como muito controladora, segundo depoimento à polícia.

Irmão da executiva, o vendedor Marco Antonio Galasso, de 55 anos, acompanhou o depoimento do estudante. "Quando começou a falar, passei mal e tive de sair da sala. Ele mentiu."

Márcia continuou então a acompanhar o depoimento do sobrinho. "Na hora de assinar a confissão, ele me olhava e eu dizia ‘eu não posso acreditar’. Ele mudava de assunto. Quando chegou a ordem de que seria transferido, a fisionomia dele mudou, voltou a ser o Kléber. Ele tirou o cordão do tênis, o relógio, a carteira e pediu que eu guardasse. Falei ‘vai com Deus e pare de mentir’."

Revolta. Eles se mostraram indignados com a atitude do sobrinho. "É revoltante, a gente não acredita que ele teve coragem de cometer isso. É muita crueldade. É impossível uma pessoa fazer o que ele fez. "

A família acredita que, nesse momento, Gomes precise de tratamento. "Quando a gente suja a casa tem que limpar, e limpar a sujeira dos outros é a pior coisa que tem", disse Márcia.

A tia, porém, disse que é preciso fazer justiça. "Se ele tiver que pegar 20, 30 anos, é uma pena que ele cumprirá e ainda sairá novo. Pode sair até pior, porque cadeia não é legal."

Motivação. A família ainda não sabe o que poderia desencadear tanta raiva a ponto de o rapaz matar a própria mãe. "A gente espera a explicação de um psiquiatra", disse Márcia.

"O cara teve de tudo. Não tem sentido uma pessoa fazer o que fez com a mãe. Acho que estavam me poupando, porque soube apenas agora que não foram nove facadas. Foram 17", disse Marco Antonio.

Criação. Os tios dizem que o estudante teve uma infância normal, que sempre estudou em bons colégios e nunca demonstrou ser violento. A filha de Márcia e Marco Antonio é apenas três meses mais nova que o estudante. Os primos foram criados juntos.

Ambos dizem que não havia relato de que o estudante usasse drogas. "Ele não usava drogas. O que acontece é que, para tudo o que ele conta agora, a gente sai à procura de uma causa", afirmou Márcia.

Os tios contam que a separação entre os pais de Kleber em dezembro foi tranquila. O ex-marido foi até a Igreja de São Judas Tadeu, onde foi celebrada ontem a Missa de Sétimo Dia de Magda, mas não se manifestou.

Márcia disse que não sabe se é capaz ou não de perdoar o sobrinho. "Eu não sou nada para perdoá-lo. Vamos deixar isso para Deus responder. É um vazio tão grande."

As lembranças que Márcia guarda da cunhada são as melhores. "Ela era a alegria em pessoa, gostava de carnaval, festa, de tudo. Não precisava dormir. Era 48 horas no ar. Estava pronta para tudo. O pique dela era muito grande. E o filho era tudo na vida dela."

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