O caminho da água, dos mananciais às torneiras

No processo de tratamento da Sabesp, há até degustadores para analisar o sabor e o odor

Edison Veiga, de O Estado de S. Paulo,

23 Janeiro 2009 | 12h23

A cada segundo, os paulistanos consomem 65.500 litros de água tratada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Por dia, são 5,7 bilhões de litros, o equivalente a 2.300 piscinas olímpicas. Até sair nas torneiras, entretanto, essa água percorre um longo caminho. Que inclui até testes em que profissionais a experimentam para ver se está "ok".   Veja também: A metrópole desvendada Antes da missa da Sé, o corre-corre do sacristão O senhor da hora certa Depois da última estação De carne de bode a celulares - muitos celulares Uma balsa. Dentro de São Paulo Uma cozinha para atender à bicharada  O endereço dos alimentos Comida para quem tem fome   Desde 1993, a Companhia mantém uma equipe de degustadores de água, para analisar a qualidade da que é consumida na cidade de São Paulo. Atualmente são 12 degustadores, que, uma vez por semana, analisam o cheiro e o gosto da água tratada nas oito estações que abastecem a cidade. Para integrar o grupo, os funcionários da Sabesp interessados precisam fazer um curso de dois dias e passar por uma "calibragem" de cerca de quatro meses - na qual o novato participa dos testes, mas sua opinião não é levada em conta no resultado final.   Antes de cada degustação, o profissional precisa lavar as mãos com sabonete sem cheiro. Não pode estar usando perfume nem maquiagem. Fumantes estão impossibilitados de participar. "Perguntamos até como está o humor da pessoa naquele dia, porque isso também interfere", afirma a química Márcia Moribe, encarregada do Laboratório de Orgânica do Departamento de Controle de Qualidade dos Produtos Água e Esgoto, que fica em Santana, onde a análise é feita. "É muito sutil, mas com treino a gente consegue sentir diferença de sabor entre um manancial e outro", garante a química Sonia Diniz, degustadora há 15 anos. Após a análise, relatórios são encaminhados à estação de tratamento correspondente.   Oito estações abastecem a cidade, conforme a região. A maior, com capacidade de 33 mil litros por segundo, é a Estação de Tratamento de Água do Guaraú, no Sistema Cantareira. Antes de chegar a São Paulo, a água passa por sete represas, interligadas por túneis de 2,5 metros de diâmetro - a primeira, Jaguari-Jacareí, a 120 quilômetros de distância.   Logo que entra na estação, a água recebe uma primeira dosagem de cloro - para auxiliar na retirada de matéria orgânica - e, em seguida, sulfato de alumínio. "Esse produto faz com que as impurezas se aglutinem formando flocos mais pesados", explica o engenheiro sanitário Hélio Castro, superintendente de Produção de Água da Sabesp.   A água então é direcionado aos floculadores, onde é detida, em média, por 25 minutos. "Dentro deles há pás que giram auxiliando o processo de floculação", explica Hélio. Em seguida, vem a decantação: na estação da Cantareira, são seis "piscinões", cada um com capacidade de 30 milhões de litros. "A partícula de água demora 90 minutos nesse processo", conta. A próxima etapa do tratamento é a filtragem - há 48 filtros ali, feitos com camadas de carvão mineral, areia e pedregulhos. A cada 30 horas, um deles deixa de funcionar por dez minutos, para lavagem. Por último, a água recebe cloro - que combate os micro-organismos - e flúor - para reduzir a incidência de cárie na população. Após esse processo, está pronta para ser distribuída e utilizada.

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