O asfalto melhorou. Mas falta sinalização

O 'Estado' visitou 62 das 128 ruas recapeadas neste ano; 22 tinham problemas

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2010 | 00h00

Ver as ruas esburacadas perto de casa recebendo asfalto é algo que todo paulistano quer. Mas, tão importante quanto o recapeamento, é a sinalização das vias recém-asfaltadas, que vem deixando a desejar. A reportagem visitou quase metade das 128 ruas recapeadas pela Prefeitura de São Paulo neste ano e constatou problemas na pintura das linhas de divisão de pistas, faixas de pedestres e alerta de quebra-molas em quase um terço delas.

O Estado rodou 321 km em São Paulo para observar 62 ruas e avenidas nas cinco regiões da cidade. Enquanto a qualidade do asfalto e a rapidez do serviço de recapeamento foram elogiadas por motoristas e pedestres, muitas pessoas reclamavam da falta de sinalização horizontal adequada ? sinais pintados na pista ? em trechos de 35% do total de vias visitadas.

O maior problema constatado foi a completa ausência de sinais em seis ruas recapeadas recentemente. Apesar de algumas vias asfaltadas em maio já estarem com a sinalização horizontal perfeita (como a Rua Azevedo, no Tatuapé, zona leste), em seis delas não havia pintura. Um exemplo é a sinuosa Masao Watanabe, na Cachoeirinha, zona norte, mas a situação mais problemática foi vista na Avenida Santa Inês, no Mandaqui, que é bastante movimentada, tem mão dupla e curvas sem visibilidade.

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, são necessárias de 2 a 3 semanas após o recapeamento para poder aplicar a pintura definitiva nas vias, mas falta sinalização até em grandes avenidas recapeadas há muito mais tempo pela Prefeitura, como a Marginal do Pinheiros e as Avenidas Ricardo Jafet e Salim Farah Maluf.

Para os especialistas, a Prefeitura deveria adotar algum tipo de sinalização provisória para diminuir o risco de acidentes e ser mais ágil na execução da pintura das faixas. "Não seria trabalhoso utilizar placas de advertência enquanto o serviço definitivo não é feito", disse o diretor da Associação das Vítimas de Trânsito (Avitran), Salomão Rabinovich.

Faixas. Outra reclamação recorrente foi a ausência de sinalização longitudinal ? as faixas brancas ou amarelas que dividem as duas pistas de uma mesma rua ? em grandes trechos de ruas recém-recapeadas. Mais seis ruas apresentaram esse problema. Uma delas é a Corgie Assad Abdalla, no Morumbi, zona sul, uma rua de mão dupla e movimentada especialmente no fim de semana, por ser próxima do Estádio do São Paulo.

Moradores da região afirmam que, antes do recapeamento, toda a extensão da rua estava sinalizada com uma faixa dupla amarela, mas, depois das obras, apenas pequenos trechos perto do cruzamento foram repintados. "As pessoas perdem a referência. É perigoso, ainda mais para nós que rodamos aqui o dia todo", diz o taxista Igor Pereira, que trabalha num ponto na mesma via ? que também não foi pintado.

Há ainda mais problemas. Em outras seis ruas, faixas de pedestres em cruzamentos onde passam muitos carros e perto de escolas não foram sinalizadas após o recapeamento. É o caso das Ruas Fábia, na Lapa, e da Ouvidor Portugal, no centro. E, em quatro vias, foi constatado que as faixas amarelas antes existentes nas lombadas para alertar os motoristas acabaram não sendo repintadas ? exemplos são a Avenida Comendador Feiz Zazur, em Pirituba, e a Rua Coronel Meireles, na Penha.

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