'O aluno jogou uma bomba no meu pé'

Depoimento de Vinícius Vasconcellos, de 27 anos, professor de Biologia:

O Estado de S.Paulo

10 Maio 2013 | 02h03

"A primeira agressão aconteceu na Escola Estadual José Cândido de Souza, em Perdizes. Estava dando aula para o ensino fundamental, virei para a lousa para escrever e um aluno jogou uma bomba no meu pé, que explodiu. Com o susto, fiquei paralisado. Tive de ir para fora da sala, fiquei em estado de choque e acabei urinando nas calças. Tive uma síndrome do pânico muito feia, mesmo sem ter me ferido. Fui levado ao hospital, onde fui medicado, e fiquei afastado da escola por 120 dias.

Já neste ano sofri uma violência na Escola Estadual Luiz Gonzaga Righini, no bairro do Limão. Em abril, um grupo de alunos ateou fogo na cortina da sala de aula e a escola não tinha extintor. Apaguei o fogo a vassouradas. No dia seguinte, um grupo de alunos atacou um professor. Um livro de 400 páginas acertou o nariz dele. Ainda em outra ocasião, na mesma escola, 300 alunos encurralaram a diretora e começaram a agredi-la fisicamente, com tapas e puxões de cabelo.

Frequentemente, os alunos me xingam e ameaçam. Tenho uma sala com mais de 52 alunos e a superlotação também causa violência entre professores e alunos. Já pensei em largar a profissão, mas tenho muito amor pelo que faço. Ainda há esperança."

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