Wilton Junior/AE
Wilton Junior/AE

O 1º sábado na Rocinha depois da pacificação

Clima de apreensão deu lugar, uma semana mais tarde, a ruas e bares cheios e vida quase normal

Fábio Grellet/RIO , O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2011 | 03h02

São 22 horas de sábado na Rocinha, comunidade com 70 mil habitantes em São Conrado, na zona sul do Rio. Muita gente circula pelas ruas e os bares estão cheios. Alguns tocam funk. Uma semana antes, o clima era de apreensão diante da iminente ocupação da favela pelas forças de segurança, medida adotada no domingo para a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora.

Sete dias depois, porém, no primeiro fim de semana livre do tráfico na favela, a vida quase voltou ao normal.

Só não é um sábado como outro qualquer porque o famoso baile funk da Rua 1 não foi realizado e - motivo de revolta entre os homens - o prostíbulo da Travessa Kátia fechou as portas. "Não temos mais diversão nessa rua", reclamava um mecânico de 44 anos. Identificado pela placa "centro de lazer", o prostíbulo estava vazio. O dono fechou as portas e as moças foram embora depois da chegada da polícia. Ninguém sabe o motivo.

A única certeza é de que não foi por ordem dos policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) que ocupam a favela.

Enquanto na Travessa Kátia reina o desânimo, na Estrada da Gávea dona Cida - ou Maria Aparecida Gomes, de 53 anos - começa a receber clientes.

O Forró da Cida funciona há 25 anos na Rocinha. "A ocupação (policial) não interferiu no movimento. Aqui é um lugar de família. Não preciso de seguranças. Eu sou segurança de mim mesma e nunca tive problema com bandido", assegura a pernambucana.

O forró funciona de quinta a domingo, animado pelo cantor Totinha dos Teclados. A entrada é grátis. "Toda noite recebo turistas, até estrangeiro vem aqui. Mas só esquenta mesmo lá pelas duas da manhã", conta, hesitando ao estimar o público. "Devo receber umas 200, 300 pessoas."

Cida diz que nem as regras determinadas pela polícia alteraram sua rotina. "Pediram para diminuir o volume do som depois das 22h, mas nunca recebi reclamação. A gente fica atento para não incomodar os vizinhos, mas não fiz nada diferente nesta semana."

Em outro extremo da comunidade, na Via Ápia, o som de um disco da banda Aviões do Forró já ecoa no Forrozão do Joãozinho, autointitulado "o melhor forró da zona sul do Rio". "Com a presença da polícia, o movimento deve aumentar", aposta um funcionário. "Ontem (sexta) à noite, teve movimento até sete e meia da manhã", conta.

Samba. Na escola de samba Acadêmicos da Rocinha, não houve ensaio no sábado. A escola integra o Grupo de Acesso - segunda divisão do carnaval carioca -, mas já esteve na elite e teve até a apresentadora Adriane Galisteu como rainha da bateria.

"Na quinta-feira, a quadra lotou. Acho que as pessoas já estavam sentindo falta do samba", diz Ocimar Santos, diretor da escola e presidente da ONG Rocinha.org.

Sábado também não houve festa na casa noturna Emoções, mas uma faixa gigante anunciava o evento de ontem: Baile da Paz. Quem chegasse vestindo branco não precisava pagar o ingresso, de R$ 5.

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