Nutricionista dirigia jipe, diz vendedor

Testemunha desmente versão de que namorado da jovem conduzia o Land Rover que atropelou e matou administrador na V. Madalena

William Cardoso, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2011 | 00h00

A hipótese de que a nutricionista Gabriella Guerrero Pereira, de 28 anos, dirigia o jipe Land Rover no momento em que o administrador Vitor Gurman, de 24, foi atropelado voltou a ganhar força ontem com os depoimentos do namorado dela, o engenheiro Roberto Lima, de 34, e de um vendedor que teria sido a primeira pessoa a chegar ao local do acidente, na Vila Madalena, no último dia 23. Gurman morreu após cinco dias em coma.

A polícia ainda ouvirá outras testemunhas, entre elas Gabriella, que deverá ser indiciada até o fim da semana por homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de matar). "Ainda não dá para afirmar categoricamente, mas tudo indica que ela estava ao volante", disse a delegada responsável pelo caso, Cristiane Brandão Castilho,

Os depoimentos colhidos ontem no 14.º Distrito Policial (Pinheiros) desmentem a versão da jornalista Ingrid Basílio, de 48 anos, que provocou anteontem uma reviravolta no caso ao afirmar que era Roberto quem estava ao volante no momento do acidente. Ele estava embriagado, enquanto a namorada assume ter bebido apenas uma margherita naquela noite (foi constatado por exame clínico que ela estava alcoolizada).

O vendedor Henrique (ele pediu para não ter o sobrenome divulgado), de 30 anos, disse ontem à polícia que foi o primeiro a chegar ao local do acidente e a socorrer o casal. Ele voltava de carro do bar Favela com dois amigos quando viu o Land Rover capotado. Roberto foi jogado sobre Gabriella, que, segundo sua versão, estaria no banco do motorista.

O vendedor teria ainda soltado o cinto de segurança de Gabriella e tirado a jovem do carro, depois de retirar o engenheiro. "Vim até a delegacia para contar o que realmente aconteceu. No dia do acidente, aquela mulher (Ingrid) tentou dizer que era ele (o engenheiro) quem dirigia e até discutimos, porque fui o primeiro a chegar e soltei o cinto de segurança da moça. Sei que era ela quem dirigia", diz Henrique.

O vendedor afirma que foi ao 14.º DP por vontade própria e que não é amigo do casal. Henrique fala que só manteve contato porque, logo após o acidente, Gabriella teria pedido o celular dele emprestado para falar o com o pai. Com o número gravado em seu aparelho, o vendedor ligou no dia seguinte para perguntar se estava tudo bem com a nutricionista e o namorado dela.

Namorado. O engenheiro também disse que era a namorada quem dirigia no momento do acidente. Segundo a delegada, ele se emocionou durante o depoimento de uma hora e meia e falou que havia bebido cerveja e margherita. Disse também que se recordava pouco do que havia acontecido, mas que, em determinado momento, teria se projetado para frente. Gabriella tentou evitar o choque da cabeça dele com o painel e, neste momento, poderia ter perdido o controle do carro. Roberto disse também que se feriu do lado direito da cabeça. A outra testemunha ouvida no dia também afirmou ter visto sangue no lado direito da cabeça do engenheiro.

Segundo a delegada, não é necessária até o momento uma acareação entre a jornalista e Gabriella. Ela espera também o laudo pericial que apontará, entre outros detalhes, a velocidade do Land Rover, a posição do banco e demais informações do carro no momento do acidente para que seja possível sustentar o inquérito. / COLABOROU VITOR HUGO BRANDALISE

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