'Nunca mais na vida vou ter felicidade plena'

"Morava com minha mãe e minha irmã. Meu pai faleceu em 2004 (após um derrame), então eu era o homem da casa. Fui eu que fiquei encarregado de financiar a família, dar suporte para a casa. E éramos bem divididos. Minha mãe era dona de casa assumida, cuidava da casa, de fazer o jantar. E a minha irmã cuidava de toda a burocracia desde que meu pai faleceu e precisamos fazer inventário. Ela se formou em Direito.

O Estado de S.Paulo

16 Outubro 2011 | 03h03

Estávamos muito unidos, nos falávamos sempre. Tenho de viajar muito a trabalho, porque sou palestrante. Mas, até se eu e minha irmã saíamos à noite, sempre avisávamos onde estávamos, a que horas voltaríamos para casa. Minha mãe me esperava. Ficava acordada, na sala. E éramos muito família.

No dia 17 (de setembro), estava voltando do teatro com minha namorada e recebi o telefonema (informando sobre o acidente). Foi assim: numa noite, jantamos nós três em casa. Na noite seguinte, eu estava sozinho.

Minha namorada se mudou e está vivendo comigo. Eu tenho meus amigos, grandes amigos, que têm me apoiado. Mas à noite, na hora de dormir, ainda é muito difícil. Eu fico pensando e sinto que nunca mais na vida vou ter uma felicidade plena.

O que eu tenho pensado ultimamente é que não sou só eu, que não estou sozinho. São 3 mil famílias que sofrem isso todos os meses no Brasil. Ganhei uma nova missão. Temos de mudar as leis de trânsito. A prisão não vai trazê-las de volta. Mas servirá de exemplo para outras pessoas que bebem e dirigem carros depois. Eu não vou descansar enquanto ligar a televisão e ouvir notícias sobre pessoas que bebem, dirigem e matam outras pessoas."

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