'Nunca houve autorização nossa para bater'

A direção da Fundação Casa não autoriza seus funcionários a baterem nos menores e já demitiu 123 deles por justa causa, nos últimos oito anos, em razão de agressões. É o que afirma a presidente da Fundação, Berenice Gianella, em entrevista ao Estado:

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2013 | 02h01

Como a senhora responde à acusação de que a violência contra os menores é uma prática disseminada na Fundação?

Não há e nunca houve autorização nossa para bater. Não há conivência com isso. Há alguns que batem. Mas posso jurar de pés juntos que a maioria trabalha adequadamente. Agora, se 80% da população aprovou as cenas do Fantástico (segundo pesquisa do governo), certamente dentre os servidores há os que aprovam também. Quando cheguei aqui, o ambiente era conturbado. Os adolescentes mandavam em várias unidades. Houve 36 rebeliões em seis meses (no primeiro semestre de 2005). Introduzimos uma série de mudanças. Construímos unidades menores e enviamos adolescentes para o interior. Em 2011, representantes do Conselho Nacional de Justiça visitaram unidades de internação de menores no Brasil inteiro e classificaram nosso sistema como um dos melhores do Brasil.

De acordo com os relatos, logo que chegam às unidades, os menores são espancados, e as denúncias não são apuradas.

Isso era o que acontecia antes. Era chamado de "recepção". Reforçamos a Corregedoria e a Ouvidoria. De 2005 até agora, fizemos 437 demissões por justa causa, das quais 123 por agressões. Todos os casos que chegam à Ouvidoria e à Corregedoria são investigados e, se comprovados, é instaurado um processo administrativo disciplinar. Imediatamente após ver as imagens do Fantástico, abrimos processo contra os cinco funcionários, incluindo o diretor (da unidade), e sindicância para apurar se há outros envolvidos. O autor das filmagens também não tem nada de bonzinho. Ele ficou três meses com a fita. Não sabemos quem foi nem por que demorou tanto. Mas, se quisesse realmente preservar a integridade dos jovens, teria vindo no dia seguinte à Corregedoria ou à Ouvidoria.

Funcionários dizem que os que agridem são mais bem avaliados.

Pode acontecer. Não estamos presentes em todos os centros. Mas as avaliações do estágio probatório são feitas pelo coordenador da equipe e o diretor da unidade. Só são demitidos depois que o processo corre pela Corregedoria. Dizer que 'ou bate ou vai embora' não é verdade./ L.S.

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