Número vermelho no muro, após 4 décadas de invasão

O lixo acumulado nas encostas do Parque Santa Madalena ameaça os moradores da favela. Há três semanas, as moradias foram marcadas com números vermelhos no muro e os donos receberam laudos técnicos com aviso do alto risco de desmoronamento e recomendação de abandono imediato do local. A Prefeitura deve remover parte das 1.900 famílias da comunidade. Além do medo de morrer soterrado, eles têm agora a preocupação com o despejo dos lares.

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

14 Maio 2011 | 00h00

A favela ocupa dois morros em Sapopemba, na zona leste de São Paulo. Há caçambas de coleta, mas a todo momento pessoas descartam restos de comida, móveis velhos e entulho no mato. E levantam novos barracos - onde os antigos foram derrubados pela Defesa Civil. Um senhor morreu soterrado por lixo e terra na última temporada de chuvas.

Caso deixassem o lugar, os atuais moradores receberiam R$ 1.500 no ato e R$ 300 durante 30 meses, referentes ao aluguel social."Quase ninguém vai querer o auxílio, porque quando acabar vamos morar na rua", afirma a desempregada Juliana de Araújo, de 22 anos.

"Se tem um projeto, porque deixaram a favela crescer demais? Tirassem antes", reclama Edna Castro, de 51 anos. Desde os 9 no morro, ela reconhece o risco, mas rejeita voltar ao aluguel. "Se dessem terreno para levantar uma casinha eu concordaria."

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