Número de vítimas fatais no trânsito diminui 31% no Estado em um ano

Apesar dos números divulgados pelo governador Geraldo Alckmin em seminário sobre redução do uso nocivo de álcool, Brasil ainda tem muito a avançar em indicativos de trânsito

Mônica Reolom - O Estado de S. Paulo,

23 Abril 2013 | 18h41

O número de vítimas fatais no trânsito reduziu 31% em um ano no Estado de São Paulo. Houve diminuição de 11% os homicídios dolosos (com intenção de matar) e 19% os homicídios culposos – a comparação é do primeiro bimestre de 2013 ante o mesmo período de 2012.

As informações foram divulgadas pelo governador Geraldo Alckmin na abertura do 1° Seminário Brasileiro de Resultados sobre Iniciativas para Redução do Uso Nocivo de Álcool, na Faculdade de Medicina da USP, na manhã desta terça-feira, dia 23. Segundo Alckmin, os números refletem o endurecimento nas blitze da Lei Seca no Estado: no ano passado, 925 mil veículos foram abordados - uma média de 24,5 mil por mês.

Alckmin também apresentou resultados da fiscalização da lei estadual 14.592, de outubro de 2011, que proíbe a venda e o consumo de álcool por menores de 18 anos em estabelecimentos comerciais. De 371 mil fiscalizações feitas entre novembro de 2011 até 18 de abril de 2013, 1360 multas foram aplicadas – o que significa que mais de 99% dos estabelecimentos vistoriados atenderam à lei.

O governador ainda ressaltou que o álcool pode ser uma porta de entrada a outras substâncias entorpecentes. "O álcool está sendo consumido cada vez mais cedo, o que aumenta a chance de alcoolismo e dependência de outras drogas", afirmou. Ele disse que o Brasil vive uma “epidemia do crack” e que o País é o segundo maior consumidor de cocaína no mundo.

Seminário. O seminário visava a apresentar os avanços do Brasil na redução do uso nocivo do álcool três anos após a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançar diretrizes globais nesse sentido. Em maio de 2010, um documento foi aprovado por 193 países com o objetivo de “reforçar os esforços nacionais em favor da proteção das populações em risco, os jovens e as pessoas vítimas do consumo nocivo de outros.”

Durante o seminário, foram mostradas iniciativas públicas e privadas de redução do consumo de álcool no País. A pesquisadora Camila Magalhães Silveira, uma das palestrantes, apresentou os padrões de consumo do álcool na Região Metropolitana de São Paulo. Segundo ela, o público-alvo de políticas públicas estaduais deve ser os menores de 18 anos, especialmente as mulheres, que estão bebendo cada vez mais. “A prevenção é mais eficaz se direcionada aos jovens.”

Vilma Leyton, professora da faculdade de Medicina, mostrou que o Brasil tem índices bastante ruins no que se refere ao trânsito. Enquanto a União Europeia conseguiu diminuir o número de mortes no trânsito – de 74 mil em 1990 para 27 mil em 2010 -, no País esse número só aumentou: em 2000, foram 30 mil mortos; em 2010, quase 44 mil.

O Seminário ainda teve palestras sobre a Lei Seca no Rio de Janeiro, discussão sobre mercado informal de bebidas alcoólicas, regulamentação de propagandas de bebidas e desenvolvimento de tecnologias por supermercados para inibir a venda de álcool a menores de idade.

Pesquisa nacional. A Unifesp divulgou no dia 10 de abril um estudo inédito no Brasil sobre hábitos de consumo de álcool entre os brasileiros. O Levantamento Nacional de Álcool e Drogas mostrou, entre outros dados, que de 2006 a 2012 houve um aumento de 20% nas pessoas que bebem ao menos uma vez por semana (ou mais). Apesar de a maioria dos dados ser preocupante, um dos poucos índices a ser comemorado é a redução de 21% na proporção de pessoas que relatam terem dirigido após o consumo de álcool. O resultado, segundo os pesquisadores, pode ser consequência das políticas públicas relacionadas à Lei Seca, que entrou em vigor nesse período.

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