Número de vítimas aumenta para 235

Gustavo Gonçalves morreu ontem em Porto Alegre; mais 3 jovens haviam morrido na boate, mas não constavam na lista oficial

LUCAS AZEVEDO, ESPECIAL PARA O ESTADO , SANTA MARIA, O Estado de S.Paulo

30 Janeiro 2013 | 02h01

O número de vítimas no incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, na madrugada de domingo, chegou ontem a 235. Três nomes haviam sido deixados de fora da lista oficial pelo Instituto Geral de Perícias, que atribuiu o erro de cálculo ao registro dos nomes dos mortos em papel. Um dos jovens retirado da boate com vida, Gustavo Marques Gonçalves, de 25 anos, morreu ontem em Porto Alegre (mais informações nesta página).

A estrutura de reconhecimento das vítimas foi montada às pressas no Centro Desportivo Municipal da cidade (CDM). Segundo o IGP, mesmo sem a inclusão na lista, os corpos das vítimas foram entregues às famílias. "Nós não tínhamos computadores, cabo, nada. Tudo foi feito manualmente mesmo. Nós contamos 234 corpos e fizemos a identificação de todos, mas em algum momento do processo esses três nomes não entraram na lista oficial", explicou a chefe da Regional de Santa Maria do Instituto Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul, Maria Ângela Zucchetto.

As correções foram feitas. O nome de Lucas Dias de Oliveira não constava na listagem. O motivo não foi explicado. Já a ausência do nome de Vinícius Marconato Uggeri se deu porque o rapaz foi um dos primeiros a ser periciado, ainda na manhã de domingo. Sua identificação ocorreu no Posto Médico Legal de Santa Maria, fora do CDM, local que centralizou todos os óbitos.

Já uma coincidência de nomes fez com que dois jovens fossem contados como apenas um. Thailan de Oliveira e Thailan Rebhein de Oliveira acabaram identificados no pavilhão do CDM, mas apenas um nome computado na lista oficial.

Feridos. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que seis feridos no incêndio receberam alta. Com isso, o número de vítimas hospitalizadas passa de 124 para 117, sendo que 75 ainda correm risco de morte. Em Porto Alegre e Canoas estão 53 pacientes. Já em Santa Maria são 64 - 27 em ventilação mecânica. "Alguns já estão evoluindo positivamente para a retirada da ventilação mecânica, sobretudo em Porto Alegre", explicou Padilha, em coletiva de imprensa no início da noite, no Hospital de Caridade de Santa Maria. Segundo o ministro, na tarde de ontem três pacientes internados na capital tiveram a respiração por aparelhos suspensa. Entretanto, 75 pacientes estão em estado crítico, com risco de óbito, todos em leitos de UTI, tanto na Região Metropolitana, quanto em Santa Maria.

Morte. No Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre, Gustavo Marques Gonçalves entrou durante a tarde no que os especialistas chamam de "protocolo de morte encefálica", um conjunto de exames realizados por dois médicos autorizados pela família. "É um paciente com mais de 70% do corpo queimado. São queimaduras de face, tórax, abdome e membros, em estado muito grave", afirmou Padilha ainda durante a tarde, antes da confirmação da morte de Gonçalves.

Ontem, três pacientes voltaram aos hospitais de Santa Maria se queixando de tosse. Eles permanecem em observação. A orientação é que as vítimas do incêndio que já receberam alta procurem imediatamente orientação médica, caso apresentem sintomas de pneumonite tóxica, como falta de ar, tosse e sonolência. Padilha garantiu que a Força Nacional do SUS irá reforçar o atendimento aos pacientes atingidos pelo incêndio na boate e aos familiares dos mortos.

Doação. Uma força tarefa organizada pela Anvisa recebeu ontem as doações em pele humana e de membrana amniótica doadas pelos governos da Argentina e do Uruguai para socorrer as vítimas do incêndio.

A pele e a membrana são empregadas para recuperar partes do corpo atingidas pelas chamas. A doação encaminhada de Buenos Aires entrou pelo aeroporto da capital gaúcha às 14h e foi liberada pela Anvisa às 15h, para seguir aos hospitais onde estão internados os sobreviventes da tragédia. A carga vinda de Montevidéu desembarcou no mesmo aeroporto, o Salgado Filho, às 21h, e recebeu a liberação da Agência às 21h40. / COLABOROU TÁSSIA KASTNER

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