Número de rebeliões na Fundação Casa é o maior em 6 anos

Foram 6 motins até este mês, 1 mais que em 2007 e 2010, e 15 tumultos ‘de indisciplina’

Bruno Paes Manso e Rodrigo Burgarelli - O Estado de S. Paulo,

20 Setembro 2012 | 22h40

SÃO PAULO - O total de rebeliões ocorridas neste ano na Fundação Casa, antiga Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem), já bateu o recorde dos últimos seis anos. O número é o maior desde a reforma administrativa iniciada em 2006, quando a instituição viveu um período de calmaria depois da descentralização das unidades e das ampliação das vagas.

Entre janeiro e este mês, já foram registradas seis rebeliões, uma a mais do que em 2007 e 2010, os anos recentes mais violentos. Além disso, a entidade contabiliza 15 "movimentos de indisciplina" em 2012 - nomenclatura usada para identificar tumultos que envolveram apenas um grupo isolado de jovens e não todos os internos da unidade. Desde 2006, o número só foi superado em 2010, quando foram registradas 18 ocorrências.

As rebeliões acontecem tanto em unidades antigas da capital quanto em novas, inauguradas há pouco tempo no interior. Na unidade do Brás, um adolescente morreu ao cair do teto do edifício durante uma tentativa de fuga com outros cinco jovens no mês passado. Funcionários também foram rendidos.

Os principais casos, porém, aconteceram na Praia Grande, na Baixada Santista. Inaugurada em 2011, a unidade registrou quatro ocorrências de rebeliões e tumultos apenas em julho. O Ministério Público chegou a pedir a interdição do local, sob a alegação de que a infraestrutura e o número de funcionários não eram suficientes para garantir sua segurança e seu bom funcionamento. Trinta adolescentes já fugiram da unidade neste ano.

Em São Paulo, a mais recente confusão foi na Vila Leopoldina, na semana passada. Na ocasião, sete funcionários foram feitos reféns e móveis e portas foram quebrados. Segundo a Fundação Casa, o tumulto começou quando um jovem com problemas psiquiátricos agrediu um instrutor e outros jovens se envolveram.

Saúde mental. A presidente da Fundação Casa, Berenice Giannella, diz que casos envolvendo jovens internos com problema de saúde mental são recorrentes. "É uma situação complicada. Deveriam haver serviços especiais para lidar com esses jovens, que acabam provocando muitos tumultos."

Mães das unidades de Praia Grande e de Raposo Tavares, que pediram para não ser identificadas, afirmam que os problemas estão relacionados principalmente a diretores e funcionários violentos, que acabam agredindo jovens e punindo familiares que tentam fazer denúncias com a suspensão das visitas. Justamente por isso eles preferem não se identificar. / BRUNO PAES MANSO e RODRIGO BURGARELLI

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