Número de radares deve aumentar em São Paulo

Prefeitura prepara um edital, que será publicado em maio, para contratar serviços de fornecimento, instalação e operação dos equipamentos de fiscalização eletrônica

Caio do Valle,

26 Abril 2013 | 16h40

SÃO PAULO - O número de radares de trânsito deve aumentar na cidade de São Paulo a partir do segundo semestre deste ano. A Prefeitura prepara um edital, que será publicado em maio, para contratar serviços de fornecimento, instalação e operação dos equipamentos de fiscalização eletrônica.

Atualmente, existem 433 pontos com radar na capital - totalizando 587 aparelhos, entre radares fixos e estáticos, lombadas eletrônicas e pistolas capazes de flagrar as placas dos veículos. A Secretaria Municipal dos Transportes pretende rearranjar esses pontos, mas, em audiência pública sobre o assunto realizada nesta sexta-feira, 26, não informou quantos novos serão criados. Outros poderão ser extintos.

A expectativa, no entanto, é de uma expansão da quantidade de locais fiscalizados, já que um dos focos da ação será a fiscalização eletrônica intensiva dos corredores de ônibus, para inibir a entrada de veículos que não sejam coletivos ou táxis e assim melhorar a velocidade média do transporte coletivo. Até o fim de 2016, a gestão Fernando Haddad (PT) pretende construir 150 km de corredores de ônibus, o que ampliará significativamente a extensão de vias que deverão ser monitoradas. Os bairros mais afastados do centro expandido, onde há muito menos radares e onde o trânsito tende a ser mais violento, também ganharão mais equipamentos de fiscalização eletrônica.

Outro aspecto que deve fazer com que o número de multas aumente é o fato de que a Prefeitura quer melhorar a eficiência tecnológica dos radares já existentes, dotando todos os equipamentos com o chamado leitor automático de placas (LAP), capaz de flagrar os furões do rodízio. Atualmente, dos 587 radares ativos, "só" 196 têm LAP.

Essa tecnologia permitirá, ainda, rastrear o percurso dos veículos e estimar tempos de viagem, além de subsidiar a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e a São Paulo Transporte (SPTrans) com dados em tempo real sobre as condições do trânsito, permitindo a adoção de medidas mais rápidas e eficazes para solucionar problemas viários.

Para isso, todos os radares terão que ser ligados por fibra ótica à Central Integrada de Mobilidade Urbana (Cimu), que será construída na Rua Bela Cintra, na região central. Esse polo também congregará e processará informações recebidas de semáforos inteligentes, que devem chegar a 3 mil cruzamentos da cidade nos próximos anos.

A adoção dessas medidas, incluindo a modernização do sistema de radares, deve trazer melhorias de 20% na fluidez, segundo estimativas da Prefeitura.

No caso dos corredores de ônibus, a meta é fazer com que velocidade média dos coletivos quase dobre, saltando dos atuais 13 km/h para 25 km/h.

De acordo com o secretário adjunto de Transportes, José Evaldo Gonçalo, a licitação será feita "especialmente contemplando os corredores de ônibus", tanto "os presentes e também os futuros". Os de hoje somam 119 km.

Os novos contratos com as empresas que administrarão os radares devem ser assinados em agosto, a partir de quando novos aparelhos deverão ser instalados. A Prefeitura vai dividir a cidade em regiões, cada uma a ser gerenciada por uma empresa ou consórcio. Atualmente, a repartição é por tipo de equipamento, e não por área.

Gonçalo diz que a arrecadação com multas não necessariamente deve aumentar, já que isso depende da obediência dos motoristas às regras de segurança no trânsito. "Se o cidadão se conscientiza cada vez mais com a não infringência das normas, nós vamos ter cada vez menos arrecadação. Agora, o poder público vai fazer a sua tarefa, que é fiscalizar. Se o cidadão não avança o sinal, se ele não ultrapassa a velocidade permitida na via, nós vamos estar tendo um gasto de dinheiro que não vai ter um retorno em arrecadação. Para nós isso é bom, não é ruim, porque significa que a cidade está mais segura."

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