Wagner Souza/Futura Press
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Número de mortos por coronavírus em São Paulo sobe para 3.949

A taxa de ocupação de leitos em UTIs da Grande São Paulo teve pequena oscilação para baixo, chegando no patamar de 85,7% de ocupação; o governo reforçou critérios que serão usados para medir a possibilidade de abertura comercial no Estado

Bruno Ribeiro, Giovana Girardi e Mariana Hallal, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2020 | 12h44
Atualizado 13 de maio de 2020 | 16h27

SÃO PAULO - O governo do Estado de São Paulo registrou mais 206 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas, chegando a um total de 3.949 óbitos no Estado. Os dados, divulgados nesta terça-feira, 12, representam um aumento de 5,5% em relação a segunda-feira. Ao todo, o Estado tem 47.711 casos confirmados de infecção pelo coronavírus.

Segundo o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, a taxa de ocupação de leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) da Grande São Paulo teve pequena oscilação para baixo, chegando no patamar de 85,7% de ocupação. "Essa pequena queda se deve à entrada de novos leitos no sistema", afirmou durante entrevista coletiva no início desta tarde.

O Estado informou sobre os critérios que serão usados para medir a possibilidade de abertura comercial do Estado, que está sendo chamado de Dia D. Será necessário que ocorram 14 dias de declínio de novos casos de covid-19 e que a taxa de ocupação dos leitos de UTI seja de 60%. Os critérios já tinham sido mencionados pelo governo na última sexta-feira, 8.

Segundo Dimas Covas, coordenador do Centro de Contingência de Coronavírus no Estado, fundamentalmente será a capacidade de atendimento do sistema de saúde que servirá como critério para a decisão de reabertura. Em coletivas anteriores, o governo já tinha dito, por outro lado, que o aumento da lotação das UTIs pode levar à decretação de lockdown. Germann afirmou, porém, que há ainda mais dois mil leitos previstos para serem colocados à disposição.

O secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, afirmou que o governo apresentará aos municípios paulistas um plano de testagem da população para melhor aferir os dados. A abertura em si será definida por cada prefeito. 

"Cada prefeito terá a responsabilidade de construir o plano com essas bases nas suas regiões e, de acordo com o Estado, fazer essa implementação assim que a Saúde permitir, no chamado Dia D", disse.

Germann, porém, não quis comentar o decreto publicado nesta segunda-feira pelo presidente Jair Bolsonaro, que considerou como serviços essenciais salões de beleza, barbearias e academias de ginásticas. "Marcamos uma reunião a respeito disso e a decisão do Estado de São Paulo será colocada amanhã (quarta)", afirmou.

Segundo o governo, a taxa de isolamento social no Estado nesta segunda-feira voltou a ficar abaixo dos 50%. O índice foi de 48% no Estado e de 49% na cidade de São Paulo. Na segunda, a capital teve o primeiro dia útil do novo esquema de rodízio, em que metade da frota de carros foi proibida de circular.

Interiorização da doença

Em 11 dias, dobrou o número de casos no interior de São Paulo: de 4.389 para 8.733. Na última semana de abril, eram 40 novas cidades com os primeiros registros de coronavírus, número que dobrou na primeira semana de maio. Já são 177 cidades com registros de óbitos e 64% do território do Estado já tem casos. Até o fim do mês, espera-se que todas as cidades do Estado terão registros de coronavírus.

Geraldo Reple, presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado, também presente na coletiva, afirmou que a interiorização da doença é motivo de preocupação neste momento. Reple, que também é secretário de Saúde de São Bernardo do Campo, contou que um hospital que foi aberto há dez dias na cidade, com cem leitos, já está com quase 90% de ocupação.

"A doença tem um crescimento exponencial e tem um dado que a gente às vezes observa pouco. Praticamente 80% dos municípios de São Paulo têm menos de 20 mil habitantes. E desses, 25% tem menos de 10 mil habitantes. E normalmente um município com menos de 10 mil habitantes não tem um leito hospitalar. E temos casos já em 25% desses municípios com menos de 10 mil habitantes. Isso é um dado extremamente preocupante", disse.

O secretário Germann citou ainda critérios para o tratamento de cidadãos com covid-19 que estão presos, a maioria no interior do Estado. Detentos com suspeita da doença estão sendo isolados e os que têm a confirmação e quadro agravado, estão deixando as unidades para receber o atendimento. Há 74 presidiários que já apresentaram sintomas, e oito morreram. Entre os funcionários da Secretaria de Administração Penitenciária, 28 casos foram confirmados, e há sete mortes.

Covas lembrou que o Brasil é o 8º país com mais casos no mundo e, em número de mortes, é o 6º. "Ultrapassamos Bélgica, Alemanha, Holanda, Canadá e China. Mesmo considerando que estamos ainda em fase inicial de evolução da epidemia. Estamos a 76 dias do primeiro caso notificado e 57 dias da primeira morte. Estamos aproximando do topo e isso mostra a importância do Brasil como um dos centros da epidemia e que poderá se tornar, se a marcha não for invertida, em um dos epicentros mundiais."

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