Número de mortos pela PM é 'inaceitável'

Segundo ele, todas as execuções de PMs e homicídios com suspeita de extermínio serão duramente investigadas

Entrevista com

BRUNO PAES MANSO, MARCELO GODOY, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2012 | 02h02

A voz calma do novo secretário da Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, embala um discurso seguro. O homem que diz não ter as ambições políticas que o cargo produz considera inaceitáveis a taxa paulista de letalidade policial - 447 pessoas morreram em tiroteios com PMs de outubro de 2011 a setembro de 2012 no Estado -, a matança na periferia e os ataques a policiais. Ontem, morreu o 100.º PM do ano no Estado.

O senhor sabe quantas mortes ocorreram ontem? Sei. Dezenove no Estado todo.

Em duas semanas, desde que assumiu, a situação acalmou?

Os números mostravam uma tendência de redução. O problema é que a ação criminal é imprevisível. Não temos ainda clareza das causas disso, mas houve operações da PM. Ontem começou a funcionar um centro integrado de inteligência na secretaria, com oficiais da PM e delegados, focados em apurar as mortes de policiais e civis.

Como enfrentar ações de extermínio envolvendo PMs? Com empenho nas investigações para esclarecer, se não todos, o maior número de casos. E com trabalho de inteligência, porque precisamos dar resposta para isso. Pedimos à polícia técnica que suas equipes voltem a trabalhar no Departamento de Homicídios. Essa providência é crucial.

É aceitável ter quase 500 pessoas mortas por ano pela polícia? Proporcionalmente não houve mais mortes, aumento. Em número absoluto sim, mas o total de ações, buscas e prisões também cresceu. Se comparar com outros Estados...

Mas é aceitável secretário? Não, não é. Deve haver esforço da política de segurança para reduzir a letalidade. Todos os índices, da criminalidade à letalidade, são parâmetros para uma boa política. Isso não quer dizer que a gente se conforme com os números de mortos ou roubos. Vivemos um momento atípico, de pico, mas vamos reduzir. Vamos aperfeiçoar a segurança. Definimos quatro linhas emergenciais: melhorar a estrutura da inteligência, trabalhar a integração das polícias, fortalecer o comando para uma presença maior de polícia na rua e, por fim, aumentar a interlocução com a sociedade civil.

O senhor recebeu informes sobre ação de PMs nas mortes recentes? Chegou. Como chegaram outros informes, mas é evidente que não podemos tomá-los como fatos. Por isso, insisto que toda hipótese será apurada.

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