Jose Patricio/AE
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Número de mortos e desaparecidos já passa de mil

Chuva continua na região serrana e Defesa Civil de Petrópolis entra de novo em alerta; sobreviventes tentam retomar rotina

Paulo Sampaio, Bruno Boghossian, Flávia Tavares, Marcelo Auler, Pedro Dantas, Márcia Vieira e Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2011 | 00h00

O número de mortos na tragédia da região serrana do Rio pode chegar a mil. Ontem, uma semana depois da maior catástrofe natural do País desde 1967, a Secretaria Estadual de Saúde já contabilizava 710 mortos. O Ministério Público do Rio conseguiu também contabilizar os desaparecidos. São 311 pessoas em quatro municípios: Teresópolis (184), Nova Friburgo (109), Petrópolis (16) e Bom Jardim (2).

Ontem voltou a chover forte em Teresópolis e Petrópolis. Em alerta, a Defesa Civil de Petrópolis registrou três pequenos deslizamentos. Ninguém ficou ferido. As ruas de alguns bairros, como Bingen e Mosela, alagaram.

Em Nova Friburgo, o trabalho de resgate foi intenso. Os bombeiros encontraram três corpos na Rua Cristina Ziedi, no centro. Segundo a vizinhança, parte de um prédio desabou e várias casas foram soterradas no local. Ontem, foram localizados o corpo de um jovem não identificado e de um casal: um policial reformado de 45 anos e a mulher dele, de idade não informada. À tarde, os bombeiros procuravam os filhos dos dois, de 19 e 13 anos. Estima-se que, contando os garotos, há mais oito mortos no local. Desde o início dos resgates, 30 corpos foram retirados na área.

Cabo Mendes, que trabalha nas buscas, diz que não seria possível cavar a terra com pá, dada a enorme quantidade de entulho. "É um serviço para máquina." O prédio e as casas daquele trecho da rua foram interditados. Nova Friburgo é a cidade com o maior número de mortos (335), seguida de Teresópolis (290), Petrópolis (62), Sumidouro (21) e São José do Vale do Rio Preto (2).

Rotina. Uma semana depois, os sobreviventes tentam retomar a vida normal. No bairro de Jardim Salaco, em Teresópolis, a vendedora Priscila Mariano de Oliveira se esforça para economizar água, caminha quase uma hora e meia pela lama para chegar ao centro da cidade e precisa cruzar o bairro para tentar carregar o celular. Ela se abrigou no sítio do pai, no mesmo bairro. "A gente fica com vela e lanterna à noite. Quem tem água na cisterna economiza e quem não tem coloca baldes na rua quando chove."

A vendedora enumera suas preocupações: sua família sobreviveu e sua casa ficou de pé, mas já sabe que não pode voltar a morar lá e teme que o que deixou seja saqueado. "Pretendo voltar até achar outro lugar. Não posso abandonar tudo."

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