Número de internados aumenta para 143

Segundo ministro da Saúde, 75 estão em estado grave em UTIs de 4 cidades

PABLO PEREIRA, ENVIADO ESPECIAL, PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2013 | 02h04

O número de pacientes internados vítimas da tragédia da boate Kiss, de Santa Maria, subiu ontem de 124 para 143 pessoas. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse em Porto Alegre que havia 75 pacientes em estado crítico nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) do Rio Grande do Sul. Os pacientes estão em hospitais de Porto Alegre, Canoas, Santa Maria e Ijuí.

"A primeira etapa já passou, mas permanecemos em alerta com foco na recuperação das vítimas e apoio psicológico às famílias", afirmou Padilha. Ele disse que a presidente Dilma Rousseff acompanha o caso diariamente.

O ministro afirmou que 50 profissionais da Força Nacional do SUS, coordenada pelo Ministério da Saúde, permanecerão no Estado. "Agora a nova força-tarefa é de fisioterapeutas para tentar reduzir as sequelas respiratórias", afirmou o ministro.

Padilha disse também que o número de mortos é de 235. "São 234 que morreram no local da tragédia e um jovem que estava internado no Hospital de Pronto Socorro e que tinha tido parada cardíaca e estava com queimaduras em 70% da área do corpo", explicou. Ele se referia a Gustavo Marques Gonçalves, de 25 anos, que foi enterrado ontem à tarde no Cemitério Municipal de Santa Maria e cuja família recebeu a notícia da morte, no início da noite de terça-feira, na calçada da rua do HPS, controlado pela prefeitura.

Na entrevista coletiva, ao lado do governador Tarso Genro (PT), Padilha agradeceu o esforço das equipes médicas, voluntários e equipes de salvamento que participaram da operação desde a madrugada de domingo. Foram feitos no Estado cerca de 500 atendimentos de pessoas afetadas pelo incêndio.

Padilha agradeceu também aos governos do Uruguai, da Argentina, do Chile, do Peru e de Cuba, que, segundo ele, se dispuseram a enviar estoques de pele para auxiliar os bancos brasileiros do Rio Grande do Sul, de São Paulo e de Pernambuco.

Estado grave. Entre os feridos graves, de acordo com Padilha, há 20 que são considerados pacientes de "grandes queimados" que precisam de transplantes de pele. "Hoje mesmo está chegando pele do Chile. Se for necessário, vamos mobilizar estoques desses outros bancos da América Latina", disse Padilha.

De acordo com o ministro, a contaminação que costuma aparecer neste tipo de tragédia nos dias seguintes indica que a situação já está controlada. Ele informou que caiu para dois o número de pessoas que procuraram o sistema de saúde com tosse e cansaço, sintomas que aparecem de três a quatro dias após o incêndio. No primeiro dia foram mais de 30 pacientes.

"Mas queremos alertar os jovens que estiveram na boate e que apresentem esses sintomas para que informem aos profissionais de saúde que estiveram na boate para que sejam adotados os protocolos indicados", disse o ministro.

Padilha encerrou ontem uma vistoria pelos hospitais gaúchos que têm pacientes de Santa Maria. Ele voltou a lamentar o incêndio e ressaltou a necessidade de apoio psicológico aos familiares das vítimas. "Havia um jovem com um celular que tinha mais de cem mensagens da mãe", disse Padilha.

Trabalho. De acordo com o governador Tarso Genro, o resgate e atendimento às vítimas da tragédia foi "um trabalho impressionante do SUS". Tarso afirmou ainda que "o momento mais importante agora é tentar preservar ao máximo a vida dos que estão hospitalizados e de rigor profundo na investigação para que a tragédia não seja esquecida."

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