JB Neto/AE
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Número de furtos no 1º trimestre mais que dobra na Avenida Paulista

Moradores observam ataques até do alto dos prédios; polícia afirma que crime é difícil de coibir, mesmo na via mais vigiada de SP

Camilla Haddad, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2011 | 00h00

JORNAL DA TARDE

Mais de 200 PMs em motos, a pé, de bicicleta ou em patinetes, além de cabines elevadas, bases móveis e câmeras de vigilância. Apesar de todo esse aparato, a criminalidade tem assustado frequentadores da Avenida Paulista. Entre janeiro e março de 2011, por exemplo, 100 casos de furto foram registrados no local (mais de 1 por dia). A estatística é mais que o dobro da verificada no mesmo período do ano passado, quando ocorreram 47 furtos na avenida, considerada a mais vigiada de São Paulo.

 

A área da Paulista é atendida por três distritos policiais (o 4.ºDP, na Consolação; o 5.º DP, na Liberdade e o 78º DP, nos Jardins). Há uma semana, o governo passou a divulgar os dados trimestrais de criminalidade por delegacias da capital. Nessas três, em especial, o número de roubos chegou a 888 entre janeiro e março (quase 10 por dia) e o de furtos, a 2.717 (30 por dia).

 

 

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Em relação aos roubos, a PM informou que essa modalidade de crime sofreu redução no primeiro trimestre deste ano em 33%, em comparação com o ano passado. A PM admite, no entanto, que os furtos aumentaram. Nesse caso, alega que isso independe da ação ou da presença da polícia, pois há pessoas furtadas em outros locais da cidade que só percebem o furto na Paulista.

Com isso, registra-se a ocorrência como se fosse na via. Além disso, a maioria dos furtos ocorre no interior das empresas, o que inviabilizaria um trabalho policial preventivo. Já o delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro Lima, observa que o celular virou "vetor de criminalidade" em São Paulo (leia abaixo).

"A sensação é de insegurança total. O policiamento está péssimo. Há todos os dias casos de batedores de carteira. Já tivemos recentemente uma pessoa armada na Rua Augusta, perto da Alameda Franca, desarmada pelos pedestres. Aqui tem desde o mendigo que agride na hora da fome até assaltantes de rua", diz a presidente da Sociedade Amigos e Moradores do Bairro Cerqueira César (Samorcc), Célia Marcondes.

Agressão. Na terça-feira, a reportagem esteve na Augusta, perto do Conjunto Nacional, quando uma viatura da PM fechou parte da via, às 15h30, para atender a uma ocorrência de tentativa de agressão contra o segurança da agência de viagens TAM. Um morador de rua entrou na loja e passou a pedir dinheiro aos clientes. "Convidado" a se retirar do estabelecimento, ele se revoltou e passou a bater no vidro da loja com um pau e a ameaçar o segurança.

Nas proximidades, uma vendedora de uma loja de roupas, que evitou dar o nome, contou que teve o celular furtado duas vezes. Uma delas no ano passado e a outra no mês passado, ao escurecer. "Estava falando com minha mãe e um homem arrancou o aparelho da minha mão." Já uma estudante que se identificou como Gabriela, de 21 anos, contou que ao sair da faculdade foi pega de surpresa no ponto de ônibus. Ameaçada, entregou a sacola de pano que segurava. Ficou sem documentos, CDs e celular.

Os casos podem ser observados rotineiramente do alto dos prédios, como relata o artesão Humberto Soares de Souza, de 46 anos, morador da região há 14. "Até um tempo atrás tinha a gangue da bicicleta, que passava na calçada pegando celular. Depois parou, mas os roubos continuam agora a pé." / COLABOROU WILLIAM CARDOSO

Morte

Um porteiro foi assassinado a tiros, às 22h15 de anteontem, na Rua Herculano de Freitas, região da Paulista. Segundo testemunhas, o atirador estava em um carro e teria discutido com a vítima.

PARA LEMBRAR

Via concentra casos de homofobia

Em 14 de novembro do ano passado, quatro adolescentes e um jovem de 19 anos foram flagrados por câmeras de segurança ao agredirem três rapazes que andavam na Paulista, supostamente confundidos com homossexuais. Os agressores - exceto um menor de idade que atingiu uma das vítimas com uma lâmpada fluorescente - foram libertados um mês depois. No dia 4 de dezembro, um casal gay que andava de mãos dadas perto da Estação Brigadeiro do Metrô foi cercado por cinco homens e levou socos e pontapés.

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