Número de furtos e roubos de bicicletas aumenta em SP

Na maioria dos casos, bikes desaparecem após serem amarradas a poste ou árvore; seguradoras só ressarcem assaltos a mão armada

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h07

Um homem caminha com a mão no bolso da jaqueta e para diante da bicicleta amarrada em um poste. Olha para os dois lados, não vê ninguém por perto. Tira um alicate do bolso, corta a corrente, monta na bicicleta e sai pedalando. Tudo em menos de um minuto. A cena, flagrada por câmeras de um prédio na região central, repete-se cada vez mais na cidade.

Com a expansão da malha cicloviária - que já chega a 206 quilômetros -, São Paulo vive uma "febre de bicicletas". "Seguindo esse crescimento do uso, os furtos aumentaram neste ano", diz o cicloativista Leandro Valverdes, dono da loja Ciclo Urbano. Após ouvir relatos de clientes que tiveram bikes roubadas, há alguns dias foi a vez dele. Ladrões entraram em sua casa, no Butantã, e levaram logo duas.

O aumento de modelos caros nas ruas, alguns de até R$ 50 mil, atrai bandidos. Muitas vezes, no mercado do crime, eles lucram mais do que roubando carros. Em Santana, na zona norte, uma bicicleta avaliada em R$ 23 mil foi furtada de uma loja. Por acaso, o dono viu um rapaz circulando com uma bem parecida. Após perícia, a Polícia Civil constatou que era a mesma bike e a apreendeu. O agente de viagens pego com ela disse ter pago R$ 8 mil, sem saber da origem. "Ele alegou que foi abordado na rua e achou o preço bom", disse o chefe dos investigadores do 9.º DP, Rogério da Costa. Mesmo alegando não saber da origem ilegal, o rapaz ainda corre o risco de ser indiciado por receptação. Os ladrões estão sendo procurados.

A Secretaria de Estado da Segurança Pública não tem estatísticas. Mas seguradoras confirmam o aumento. Uma das poucas que fazem apólices de bicicleta na cidade, a Kalassa teve seis bikes, todas avaliadas em mais de R$ 10 mil, furtadas ou roubadas. Neste ano, já foram 11. A procura por seguros também aumentou. "Passamos de 400 para 600 bicicletas seguradas", diz o corretor José Carlos Anastácio Junior.

Na internet. Levantamento feito a partir de registros voluntários de vítimas no site Cadastro Nacional de Bicicletas Roubadas (http://www.bicicletasroubadas.com.br/) contabiliza pelo menos 45 casos na capital neste ano. Em 34, as vítimas deixaram as bikes amarradas com cabo de aço a postes ou árvores e não as encontraram na volta. Em 7, elas foram levadas de casas ou prédios. Em 4, criminosos usaram a força.

O programador Pedro Cury criou o cadastro de bikes roubadas há 10 anos e até hoje, mesmo incompleto, esse é o principal registro do País. "Um dos objetivos é a gente ter estatísticas e mostrar o modo de agir dos ladrões." Mas muitos alimentam a esperança de que alguém veja a bike ali e denuncie o ladrão. Pelo menos uma vez, em outro site dele (www.pedal.com.br), uma bike foi recuperada a partir de foto publicada na internet.

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