José Patrício/AE
José Patrício/AE

Número de falhas que prejudicam o metrô de São Paulo mais que dobrou

Dados obtidos pelo 'Estado' revelam que, em 2012, o sistema registrou 3,31 incidentes a cada milhão de quilômetros percorridos; em 2010, esse número foi de 1,51

Caio do Valle, O Estado de S.Paulo

28 Março 2013 | 01h57

O número de falhas no metrô de São Paulo mais do que dobrou em três anos. Dados obtidos pelo Estado, com base na Lei de Acesso à Informação, revelam que em 2010 o sistema registrou 1,51 incidente notável (evento que prejudica o funcionamento da linha) a cada milhão de quilômetros percorridos. Em 2012, a quantidade chegou a 3,31.

Com 4,14 interferências por milhão de quilômetros percorridos pelos trens, a Linha 3-Vermelha, que liga Itaquera, na zona leste, à Barra Funda, na zona oeste, foi a que teve o maior crescimento de falhas. Há três anos, o índice era de 1,2. Trata-se do ramal mais carregado de todos, com quase 1,2 milhão de pessoas transportadas a cada dia útil.

Na manhã de ontem, quem depende dessa linha teve de ter mais paciência do que o normal, pois um incidente em um equipamento de via na altura da Estação Bresser-Mooca afetou a circulação das composições. Foi a segunda ocorrência no local em menos de uma semana. Na sexta-feira, um problema parecido prejudicou os passageiros em pleno horário de pico da manhã.

A analista de recursos humanos Tathiane de Paula, de 30 anos, foi uma das prejudicadas naquele dia. Segundo ela, as informações dadas pelos funcionários quando há problemas são imprecisas. "Eu queria algo mais objetivo por parte do Metrô."

Também usuária do ramal, a auxiliar financeira Camila Gonçalves, de 25 anos, demorou quase 30 minutos só para conseguir passar as catracas na Estação Tatuapé e embarcar em um trem superlotado. Isso porque as composições circulavam com a velocidade reduzida. "As falhas estão cada vez mais comuns."

Demanda. O presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo Prazeres Júnior, afirma que o sentimento de parte dos funcionários do Metrô é de que os transtornos estão mais comuns. "O sufoco está aumentando. E por quê? Pela quantidade crescente de passageiros, o que acarreta o desgaste dos materiais e amplia os riscos de incidentes notáveis."

Entre 2011 e 2012, a demanda total nas quatro linhas administradas pelo Metrô cresceu 1%, atingindo 1,098 bilhão de passageiros transportados na rede.

Além da Linha 3-Vermelha, a 1-Azul registrou aumento considerável do número de falhas: foram 3,18 incidentes notáveis por milhão de quilômetros percorridos em 2012, ante 1,53 dois anos antes. Por sua vez, a Linha 2-Verde passou de 2,30 para 2,76 no ano passado. Esse número, porém, é menor do que o verificado em 2011 naquele ramal: 5,68. A Linha 5-Lilás, a menor, foi a única a ter redução de falhas, caindo de 1,60 para 0,70. A Linha 4-Amarela está fora dos dados computados por ser operada pela concessionária ViaQuatro.

Em nota, o Metrô informou que, para atender à maior demanda, "se estruturou com a compra de novos trens, redução de intervalos e oferta de novas viagens". Fora isso, a empresa só alegou que os Serviços de Informação ao Cidadão, de onde a reportagem obteve os dados, "são transparentes".

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