Número de crianças na rua cai 40%, diz prefeitura de SP

Moradores de rua diminui em toda a cidade, mas há concentração no centro da capital paulista

Camilla Rigi, do Estadão

13 de julho de 2007 | 08h52

O número de crianças e adolescentes morando nas ruas de São Paulo diminuiu 40% nos últimos dois anos, conforme dados da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social. Em 2005, cerca de 1.030 crianças dormiam em praças, ruas e sob viadutos da capital, hoje são 600. "Os resultados têm sido bons, mas estamos longe da situação ideal", disse o secretário da pasta, Floriano Pesaro.O secretário afirma que foram retirados 1.100 crianças e adolescentes que trabalhavam nos faróis da cidade, mas ainda restam 1.900. "O desafio é conscientizar a população a não dar esmola", disse. De outubro de 2005 a abril de 2007, a secretaria atendeu 10.301 crianças e adolescentes. Desse total, 1.399 foram devolvidos às suas famílias, 972 foram levados para abrigos e 524 retornaram aos seus municípios de origem.A coordenadora-geral do Projeto Travessia, Lúcia Pinheiro, que atua há 11 anos no centro, confirma que o número de moradores de rua diminuiu em toda a cidade. Porém, houve uma concentração na região central. "Pelos nossos dados históricos 130 crianças e adolescentes viviam nessa área. Hoje, são 190. Ainda estamos analisando o que proporcionou essa situação", declarou.Para atender esse público, 177 agentes da rede de proteção social passaram por um curso de capacitação de 5 de fevereiro a 30 de maio. O objetivo é criar uma metodologia única para ser aplicada em toda a capital. "As crianças de rua não têm só problemas com drogas, têm problemas familiares e muitos outros que precisam ser vistos conjuntamente. É isso que tentamos passar: uma visão ampla", afirmou a coordenadora de ensino do Projeto Quixote, Graziela Bedoian.Durante o curso, os agentes adquiriram conhecimentos básicos sobre drogas, traçaram o perfil das pessoas atendidas e discutiram o papel do educador. "O agente também tem que ser cuidado, pois a situação que enfrenta muitas vezes causa indignação", explicou Graziela.

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