Marcelo Ximenez/AE-26/1/2008
Marcelo Ximenez/AE-26/1/2008

Novo 'xerife' de SP investigou quebra de sigilo de tucanos

Carneiro Lima já apurou sequestros, assassinatos e tráfico de drogas, mas foi na Corregedoria que ele arranjou mais inimigos

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2011 | 00h00

O governo de São Paulo anunciou ontem sua aposta para a Polícia Civil, o principal desafio na Segurança Pública do Estado: o novo delegado-geral, Marcos Carneiro Lima, de 53 anos. Ele foi responsável por coordenar investigações como a da falsificação da assinatura usada para quebrar o sigilo fiscal de Verônica Serra, filha do ex-governador José Serra, e a da morte do cartunista Glauco Villas Boas.

Carneiro Lima é desses delegados que não têm empresa de segurança e não usam a polícia para abrir portas na iniciativa privada. Ele saiu no braço com um colega para prender um policial corrupto. Fez carreira no distante 47.º Distrito Policial, no Capão Redondo, zona sul, lugar reservado durante muito tempo àqueles que não têm padrinhos na polícia. Foi trabalhar no Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), onde se acostumou a cenas de crime.

Alguns colegas se queixavam de modos considerados rudes. Da Homicídios, passou à Delegacia Antissequestro, onde prendeu os policiais militares e o motoboy envolvidos no assassinato do menino Ives Ota, sequestrado e morto em 1997. Foi trabalhar na Corregedoria da Polícia Civil, de onde foi afastado porque estava prendendo muitos corruptos. Um dia, seu chefe o chamou e disse: "Marcos, vou tirar você (da Corregedoria) para te preservar." Pouco antes, ele havia entrado na sede do Departamento de Narcóticos (Denarc) para prender suspeitos de corrupção e teve de brigar com um delegado, que tentou proteger os policiais investigados.

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Carneiro Lima caiu no ostracismo. Tornou-se professor de gerenciamento de crises na Academia da Polícia Civil e, no fim de 2007, passou a dirigir a Divisão de Homicídios. Foi como seu chefe que ele conduziu as investigações sobre o assassinato do coronel José Hermínio Rodrigues, morto em 2008 quando comandava o policiamento na zona norte de São Paulo.

Hermínio era amigo do então secretário da Administração Penitenciária e futuro secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto. Hermínio foi morto, segundo investigações, por dois PMs que participavam de um grupo de extermínio. Com a posse de Ferreira Pinto, Carneiro Lima foi promovido à classe especial - posto mais alto da carreira. Em 2009, assumiu o Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro), onde estava até agora.

Além dele, uma mulher deve ser a segunda na hierarquia da polícia. Ana Paula Soares deve ser anunciada como a nova subdelegada-geral. O lugar de Carneiro Lima no Demacro deve ser ocupado pelo delegado Youssef Chahin. O Departamento de Polícia da Capital, que cuida dos distritos policiais, deve ficar com o delegado Carlos José Paschoal de Toledo. Maria Inês Trefiglio Valente deve permanecer na Corregedoria da Polícia Civil e o delegado Wagner Giudice deve assumir o Departamento de Narcóticos. No DHPP deve permanecer Marco Antônio Desgualdo e no Departamento de Proteção à Cidadania, Dejar Gomes Neto.

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