Novo vídeo mostra perseguição de jovem e PM

Rapaz foi baleado após protesto contra a Copa no último sábado

Laura Maia de Castro, O Estado de S. Paulo

30 de janeiro de 2014 | 23h13

Um vídeo exibido nesta quinta-feira pelo Jornal da Record e pela TV Folha mostra mais uma parte da perseguição de Fabrício Chaves e policiais militares. Nas imagens, Chaves aparece correndo na Rua da Consolação. Após mais de dez segundos fora do alcance da câmera de um posto, o estoquista aparece correndo na direção de um policial e sendo perseguido por outros cinco.

Ao passar pelo posto, o policial que estava na frente de Fabrício vai para a direita, enquanto o rapaz continua pela Rua Sergipe. Nas imagens não é possível ver se o estoquista estava com um estilete na mão. A SSP, em nota, informou que "se as imagens trouxerem novos elementos, o material será anexado nos inquéritos".

Anulação. O defensor público Carlos Weis, advogado do estoquista Fabrício Chaves, de 22 anos, baleado por policiais militares durante o protesto "Não vai ter Copa" no sábado passado, protocolou nesta quinta, 30, no 4.º Distrito Policial (Consolação) o pedido de anulação do depoimento colhido na terça-feira no hospital. Weis alega não ter sido avisado pelos policiais sobre o relato e que o estoquista não tinha condições de saúde para prestar esclarecimentos.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), até as 20h desta quinta o delegado do 4.º DP ainda não tinha recebido o pedido da defesa, mas disse que Chaves "tem o direito de retificar o depoimento". O defensor diz que soube do depoimento pelo irmão da vítima. "A polícia basicamente invadiu a UTI, nem sequer tomou as medidas de higiene necessárias, e tomou o depoimento sem avisar a defesa e a família", disse. Weis pediu agendamento de novo depoimento. O irmão do estoquista, Gabriel Chaves, disse que o rapaz tinha tomado morfina. "Como ele ia conseguir falar direito?"

A secretaria, em nota, defendeu o procedimento. "A polícia cumpriu o ritual legal sem qualquer prejuízo à saúde e à segurança de Chaves. O estoquista estava lúcido e se manifestou de forma espontânea, acompanhado do irmão e da prima."

A Santa Casa, em nota, informou que Fabrício "não estava recebendo qualquer medicação de suporte circulatório ou que pudesse comprometer seu raciocínio". Na tarde de quinta, Chaves deixou a UTI e agora está internado na enfermaria.

Na versão da polícia, agentes teriam disparado em legítima defesa após Chaves sacar um estilete. Em depoimento colhido no hospital, ele afirmou que só reagiu após ter sido atingido por um tiro. O secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, afirmou que a informação será apurada. "Vai ser levada em consideração no inquérito. Essa e outras provas."

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