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Novo Teatro Cultura Artística será ligado à Praça Roosevelt

Modificações viárias vão permitir criação de um segundo acesso; ideia é criar um polo cultural unificado com espetáculos ao ar livre

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2011 | 00h00

Pela primeira vez, duas das principais instituições culturais paulistanas - uma vanguardista e alternativa, a outra pioneira e erudita - estarão unidas em um mesmo local. A quase centenária Sociedade de Cultura Artística, fundada em 1912, construirá seu novo teatro, na Rua Nestor Pestana, com uma inédita ligação à Praça Roosevelt, espaço símbolo da nova dramaturgia de São Paulo.

Duas modificações viárias previstas pela Prefeitura na Rua Nestor Pestana permitiram mudanças no projeto do teatro, elaborado pelo arquiteto Paulo Bruna após o incêndio que destruiu a casa, em agosto de 2008. O projeto refeito, obtido com exclusividade pelo Estado, prevê novo acesso ao teatro, de frente para a Roosevelt. Estruturas na própria praça serão criadas para integração com o teatro: haverá espaço destinado a caminhões para transmissão de TV e o subsolo da Roosevelt servirá como principal estacionamento da casa.

Espetáculos ao ar livre na nova praça, em parceria com os teatros da Roosevelt, também fazem parte dos planos da Sociedade para integrar os equipamentos culturais. "Será um polo cultural único no País. Haverá o Museu Judaico de São Paulo, o novo Hotel Ca"d"Oro e a Escola de Teatro do governo. A área será uma referência ainda maior", disse o presidente da Sociedade de Cultura Artística, Pedro Herz. "O frequentador não precisará escolher antes: no momento em que chegar à praça, definirá o que fazer. Opções não faltarão."

Mudanças. A integração será possível graças à desapropriação de cinco imóveis comerciais da Rua Nestor Pestana - a maioria casas noturnas de shows eróticos -, já declarados de interesse público. Uma rotatória será criada (no local onde hoje está a boate Kilt) para "facilitar o acesso de pedestres ao teatro", segundo a Secretaria de Negócios Jurídicos. Do outro lado da rua, outros três imóveis serão desapropriados para alargamento da calçada e criação de ponto de táxi.

"O projeto está atrelado às mudanças propostas pela Prefeitura. Nos reunimos com o prefeito no mês passado e ele garantiu que o projeto sai. Mas só podemos começar a obra com a definição das desapropriações", disse o presidente do Conselho de Administração da Sociedade, Claudio Sonder. A Secretaria de Negócios Jurídicos confirmou a desapropriação dos imóveis, atualmente em processo de avaliação, mas não informou prazos.

A construção do teatro levará três anos. A obra está orçada em R$ 82 milhões, que serão captados da iniciativa privada - até agora, foram arrecadados R$ 30 milhões.

A convivência entre frequentadores será incentivada no novo Cultura Artística: em vez de dois foyers, haverá quatro, cada um com um pequeno bar. O novo acesso de frente para a Roosevelt permitirá que o térreo com as bilheterias também seja aberto e servirá como área social antes dos espetáculos. O edifício deve se destacar na região: terá seis andares (e mais dois níveis de subsolo), com uma das fachadas totalmente envidraçada, deixando à mostra oito escadas rolantes e elevadores. No terraço, está previsto jardim de 1,9 mil m², com salão de festas.

O palco não ficará no nível do solo, mas no primeiro andar. "Haverá espaço embaixo do palco que permitirá o estacionamento de um caminhão. Os instrumentos das orquestras serão descarregados ali", explicou o arquiteto Paulo Bruna. "Foi possível por causa das mudanças no viário. Mudou todo o projeto."

Outra novidade é que o teatro - cuja sala única terá capacidade para 1,4 mil espectadores - terá fosso para orquestra. Poderão ser realizados óperas e grandes musicais. "Com esse novo perfil, vamos atrair público jovem, o que pode influenciar nossa programação. Além da música erudita, podemos abrir espaço para pequenos shows", disse o superintendente da entidade, Gérald Perret. "Será uma Cultura Artística rejuvenescida, que chega ao centenário com fôlego total."

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