Novo sistema pode acabar com assentos vazios

Plano deve aumentar o uso dos coletivos durante horários com pouca demanda atualmente; tudo depende de adesão em massa

PABLO PEREIRA, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2013 | 02h01

Antes de completar cem dias no governo o prefeito Fernando Haddad (PT) começa a tirar do papel um plano que pegou bem para ele na campanha. Pelo olho do usuário, o bilhete mensal tem dois pontos principais.

O primeiro é financeiro/puro. Caso o passageiro use ônibus mais do que 46 vezes, ou seja, 23 dias de ida pela manhã e volta à noite (o que dá os R$ 140), terá um ganho financeiro imediato. Por exemplo: se precisa de ida e volta nos 30 dias, gasta hoje R$ 180. Aí, para efeito de cálculo hoje, terá ganho de R$ 40.

O segundo é o financeiro/conforto. É aquele usuário que eventualmente não usava ônibus para não gastar além da conta normal da necessidade absoluta de locomoção cotidiana - e com isso perdia qualidade de vida. Ficava em casa à noite ou nos fins de semana por causa do custo da passagem, por exemplo. Esse sujeito poderá andar de ônibus para lazer sem ter de desembolsar mais por isso. No caso do usuário que não precisa tanto assim do sistema, tudo continua igual.

Por esse modelo, o governo municipal pode chegar a um efeito também relevante para a gestão do sistema de transportes públicos que é a ocupação das cadeiras vazias nos horários e dias de baixa demanda. Neste vazio existente atualmente podem entrar até R$ 400 milhões a mais, segundo as contas da prefeitura. No limite, esse subsídio é dinheiro da arrecadação de impostos que retorna para o bem-estar geral.

Mas toda essa manobra da nova administração, no entanto, só dará efetivamente certo com a adesão dos passageiros, uma massa de gente que hoje está na casa dos 7 milhões. E também se na condução do processo forem observadas as regras da boa conduta administrativa e da retidão. E isso só poderá ser medido lá na frente, no segundo semestre, quando o bilhete estiver pronto para passar na catraca.

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