Novo secretário troca o delegado-geral da Polícia Civil de SP

Domingos de Paulo Neto é escolhido por Antônio Ferreira Pinto; ele havia se demitido durante a greve da polícia

Marcelo Godoy, O Estado de S. Paulo

23 Março 2009 | 16h28

O novo delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo é Domingos de Paulo Neto. Ex-diretor do Departamento de Homicídios, ele estava à frente do Departamento de Inteligência quando pediu demissão durante a greve da Polícia Civile, em setembro de 2008. Seu nome foi escolhido para resolver uma das maiores crises da história da corporação.

 

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Domingos de Paulo Neto assume o lugar de Maurício José Lemos Freire. Esta é a primeira mudança da gestão de Antônio Ferreira Pinto, novo secretário de Segurança Pública de São Paulo. Ferreira Pinto assumiu o cargo após a renúncia de Ronaldo Bretas Marzagão, na semana passada.

 

Após a posse, o secretário confirmou que vai mudar as cúpulas das polícias - deve modificar também chefes de polícia no interior, entre eles o de Presidente Prudente. Na quinta, o então delegado-geral Maurício Lemos Freire pôs o seu cargo à disposição. "Isso é uma coisa normal. Recebi a orientação de seguir o ritmo normal de trabalho."

 

Desde sua posse no cargo, Ferreira Pinto anunciou que vai fortalecer as Corregedorias das Polícias Civil e Militar, tornando-as "redutos de seriedade e de combate à corrupção". O novo titular da pasta confirmou a permanência de Guilherme Bueno de Camargo como secretário adjunto. Ligado ao secretário Luiz Antônio Marrey (Justiça), Camargo está na pasta desde maio de 2008, quando substituiu Lauro Malheiros Neto.

Ferreira Pinto afirmou que todas as denúncias de corrupção que atingiram a polícia e o gabinete da secretaria serão investigadas "com toda transparência". "Vamos punir aqueles que são responsáveis por desvios que comprometem as instituições. Se pudermos classificar uma meta, essa é uma: fortalecer a corregedoria e cobrar responsabilidades", disse.

O novo secretário disse que estuda medidas para reforçar as corregedorias, mas descartou a unificação delas, pois, segundo ele, cada polícia tem as suas características. O combate à corrupção não é novidade para o secretário. Ele ajudou a mandar para cadeia, em 1989, a quadrilha de policiais que havia se instalado no antigo Grupo Antissequestro da Polícia Civil - quando se tornou amigo do delegado Guilherme Santana (morto em 2008), então corregedor da Polícia Civil. Fez ainda a apuração que mostrou o desaparecimento de mil processos na Justiça Militar, envolvendo um juiz, uma promotora e beneficiando centenas de PMs.

Na quinta-feira da semana passada, um dia depois de ser anunciado no cargo, o secretário havia dito que pessoas suspeitas em casos graves não terão cargos de confiança. Ferreira Pinto tem o hábito de conduzir pessoalmente e em sigilo apurações em seu gabinete. Foi assim na Administração Penitenciária, quando, sem alarde, descobriu a fraude na construção de presídios no interior, feitos com materiais de qualidade inferior à contratada pelo governo.

Texto ampliado às 16h43 para acréscimo de informações.

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