Novo reitor terá de abrir mais portas da USP

Alckmin nomeou Marco Antonio Zago e solicitou colaboração em políticas públicas

BÁRBARA FERREIRA SANTOS E VICTOR VIEIRA, O Estado de S.Paulo

27 Dezembro 2013 | 02h05

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) confirmou ontem o médico Marco Antonio Zago como o novo reitor da Universidade de São Paulo (USP). Zago encabeçava a lista tríplice enviada a Alckmin pela assembleia eleitoral da USP na semana passada. O atual reitor, João Grandino Rodas, deixa o cargo em 25 de janeiro. O novo mandato será de quatro anos.

Em reunião rápida com Zago, no fim da tarde de ontem, em que foi confirmada a escolha, o governador pediu que a universidade colabore ainda mais na elaboração de políticas públicas. Outra solicitação é tornar mais transparente a inserção da USP na sociedade paulista.

Embora tenha integrado a atual gestão, Zago foi considerado de oposição durante o processo eleitoral, que começou oficialmente há dois meses. Além dele, compõe a chapa o pró-reitor licenciado de Pós-Graduação Vahan Agopyan, como vice. O candidato apoiado por Rodas foi o ex-superintendente de Relações Institucionais Wanderley Messias da Costa, 3.º na lista tríplice. O vice-reitor licenciado Hélio Cruz ficou em 2.º na disputa.

A reputação de Zago, dentro e fora da academia, e a vontade da assembleia eleitoral da USP pesaram na escolha de Alckmin. Entre alguns professores já circulavam ameaças de protestos, caso não se confirmasse o nome mais votado para o cargo.

Outros pontos favoráveis são o perfil conciliador do candidato e o bom trânsito pelos órgãos de pesquisa. Zago também tem experiência na administração de orçamentos mais robustos, como o da pró-reitoria de Pesquisa, de quase R$ 1 bilhão anual. O orçamento da USP, instituição de ensino superior mais importante do País, é de cerca de R$ 4,3 bilhões.  

 

Entrevista.

Quais são os principais desafios do próximo reitor da USP?

O mais importante é restaurar a unidade e a coesão da USP, que passa por um processo de deterioração das relações entre as pessoas e os grupos. O segundo desafio é a valorização do ensino da graduação, que precisa voltar a ocupar um papel central. O terceiro diz respeito a aumentar a inclusão, sempre mantendo a qualidade e excelência.  

 

É favorável a cotas a negros no vestibular da USP? Sou favorável a alcançarmos metas de inclusão já definidas pela USP. Agora temos de examinar se essas metas estão sendo atingidas ou não. Se os dados indicarem que progredimos pouco, teremos de rediscutir a nossa estratégia.  

 

Como aliar a expansão com a exigência de qualidade? Temos uma universidade que já é muito grande, cuja gestão é complexa. Não podemos fazer grande expansão. De qualquer modo a USP precisa dar contribuição mais significativa ao Estado. Isso deve ser feito com ampliações limitadas em áreas que precisam de formação de qualidade e ajuda às escolas que tenham formação de pior qualidade.

 

 Como tornar a USP mais forte no cenário internacional? A USP está muito bem no cenário internacional se considerarmos seu tamanho e abrangência. Há reforços que precisam ser feitos. Vamos instituir um programa de acompanhamento dos nossos egressos porque isso mede a qualidade de ensino. Muitas universidades estrangeiras têm bons sistemas de acompanhar ex-alunos e nós não temos. Outras coisas precisam ser reforçadas, como nossas estruturas de receber pessoas e nosso relacionamento com a América Latina e a África.

 

Como melhorar o diálogo com o movimento estudantil? Conversando com os estudantes. Tenho certeza de que conseguiremos dialogar, discutir e até discordar, o que é bom, porque os jovens é que promovem as mudanças do mundo. Isso sem nunca esquecer nosso papel de educadores. Quando o educador não consegue conversar com jovens que educa, ele falhou em sua missão.  

 

O senhor pretende manter a Polícia Militar nos câmpus? Reavaliaremos se a preservação da vida e do patrimônio deve ser feita pela polícia ou uma alternativa. Mas o uso de forças policiais para contenção de manifestações não cabe jamais, desde que se respeite o direito da discordância.  

 

Como enfrentar os problemas ambientais da USP Leste? Nossa principal preocupação é atender às recomendações da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). Não é ganhar ou perder na justiça, mas garantir a segurança dos alunos, professores e funcionários.

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