Novo protesto termina em atos de vandalismo em Itu

Depois de se reunirem com cerca de 400 pessoas em frente a prefeitura da cidade, jovens fecharam avenidas e depredam placas

Chico Siqueira, O Estado de S. Paulo

29 Setembro 2014 | 22h53

Em mais um protesto contra a falta de água - o terceiro em uma semana - manifestantes promoveram atos de vandalismo pela cidade de Itu nesta segunda-feira, 29. Depois de se reunirem com cerca de 400 pessoas em frente da Prefeitura, dezenas de jovens saíram às ruas, fecharam avenidas, atearam fogo em lixo e placas de políticos, reviraram caçambas e depredaram placas de trânsito. Dois rapazes foram presos e seis bombas caseiras foram apreendidas, mas ao contrário das duas vezes anteriores, não houve confronto entre manifestantes e PMs, que acompanharam a manifestação de longe.

O protesto desta segunda-feira teve início por volta das 16 horas em frente ao prédio da Prefeitura de Itu, cujos funcionários foram liberados mais cedo, enquanto cerca de 70 guardas municipais e 15 policiais militares faziam um cordão para evitar a invasão do prédio. Antes do protesto, representantes dos manifestantes, Guarda Municipal e PM se reuniram para tomar medidas que pudessem evitar o confronto. Os PMs permaneceram de longe, alguns filmando a ação dos manifestantes.

Cerca de 400 pessoas participaram dos protestos, que teve até um caixão de madeira para simbolizar a morte do município de a falta de água continuar. Horas depois do protesto na frente da Prefeitura, dezenas de jovens -100 deles, segundo a PM-saíram pelas ruas praticando atos de vandalismo. Eles reuniram na frente da casa do prefeito Antônio Tuíze (PSD) e aos gritos pediram água. Depois, interditaram a avenida Ermelindo Mafei revirando uma caçamba de entulho no meio da via e atearam fogo em lixo e objetos que encontravam pela frente. O grupo também ocupou a avenida Otaviano Mendes, sentando no meio da via pública e alertando motoristas sobre o problema.

A população de 50 mil habitantes convive com um racionamento há oito meses e pede que o município decrete estado de emergência ou calamidade pública, com o que não concorda o prefeito Antônio Tuíze (PSD). Tuíze não estava na cidade nesta segunda-feira. Seus assessores disseram que ele estava em viagem a São Paulo. O secretário de Segurança Marco Antônio Augusto, porta-voz do Comitê da Gestão da Água, criado na semana passada gerenciar a crise hídrica, recebeu um grupo de dez manifestantes durante o protesto na frente da Prefeitura.

Depois de tentar amenizar a situação, dizendo que a chuva que caiu no fim de semana já ajudou a melhorar a pressão de água para alguns bairros, Augusto descartou atender o pedido dos manifestantes. "A decretação de estado de calamidade pública é do governador que atende uma solicitação do executivo, mas ainda não cabe essa solicitação", disse ele aos manifestantes.

Mais tarde, o grupo então entregou a Augusto uma carta pedindo esclarecimentos da Prefeitura questionando sobre a venda da concessionária Águas de Itu para a empresa Águas do Brasil e sobre os motivos pelos quais a Prefeitura não pleiteia o estado de calamidade público e pedem que a Prefeitura dê um praz para solucionar o problema da falta de água. Moradores dizem que não há rodízio de água, que a maioria da população está comprando água para consumo. Para eles, a concessionária responsável deveria cumprir o contrato com o município e fazer a entrega de água para a população.

Em, algumas regiões da cidade, a água falta há mais de 20 dias, porque a pressão da rede não tem força. De acordo com o Comitê de Gestão da Água, 17 bairros da cidade são os mais afetados. Itu consome cerca de 60 milhões de litros de água por dia, mas a capacidade atual é de 20 milhões. Na tentativa de amenizar a crise, a Prefeitura recolhe água de poços e represas particulares do município e usa caminhões-pipas para entrega-la à população. Cerca de 3 milhões de litros são distribuídos por 44 caminhões pipas. Trinta e quatro caminhões são usados durante o dia para abastecer os 17 bairros e 10 para abastecer a região central. Prédios públicos, como escolas, postos de saúde, creches, etc., são abastecidos no horário noturno. 

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