Alexandre Martins/Jornal de Jundiai
Alexandre Martins/Jornal de Jundiai

Novo delegado-geral da Polícia Civil é nomeado por Márcio França

Mudança na Polícia Civil ocorre em meio a um contexto de disputas política visando às eleições; Bicudo chefiava departamento em Piracicaba

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2018 | 21h07
Atualizado 27 Junho 2018 | 13h08

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Márcio França (PSB), escolheu nesta terça-feira, 26, Paulo Afonso Bicudo como novo delegado-geral da Polícia Civil, cargo que nos últimos dois meses era ocupado interinamente pelo delegado Júlio Guebert. A mudança acontece em meio a articulações de França visando à campanha para reeleição. O contexto político da troca foi alvo de críticas. O governo diz que a escolha foi técnica.

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Bicudo ingressou na polícia em 1976 e já foi delegado-geral adjunto, além de ter chefiado departamentos no interior. Atualmente, estava à frente do Deinter 9, de Piracicaba. 

A Associação dos Delegados do Estado elogiou a decisão, destacando que a falta de um chefe efetivo afetava a adequada administração do órgão. Em carta ao governador, a associação e o sindicato dos delegados sustentavam que a interinidade atrapalhava “a continuidade de pautas institucionais importantes”. Segundo o texto, o concurso de promoção das carreiras policiais e outras questões de direcionamento da instituição “carecem de resposta superior, causando hesitação e sensação de indiferença nas fileiras”.

Apoio

 O PP anunciou no fim da semana passada que não mais apoiaria França na campanha da reeleição, transferindo o apoio para o candidato do PSDB, João Doria. Para o delegado Antonio Olim (PP), deputado estadual, há relação direta entre a saída do PP e a destituição de Guebert do posto. “O Julio é meu amigo e eu que o indiquei. Quando nos afastamos (de França), aconteceu isso. A polícia é política, sempre foi. A política está em todo lugar”, disse.

Professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Rafael Alcadipani repudiou qualquer possibilidade de interferência política. “O problema é a forma, não o nome. Esse é um péssimo caminho com efeitos nefastos que levam a problemas, como aconteceu no Rio, e podem representar retrocesso importante.” 

Gustavo Mesquita, presidente da associação de delegados, afirmou que Bicudo tem “larga experiência” e disse esperar “compromisso” com o fortalecimento da instituição. “Se é verdade que houve a ingerência, que o cargo tenha sido usado como moeda de troca, é um completo absurdo”, criticou. 

O Palácio dos Bandeirantes declarou, por meio de nota, que a nomeação seguiu critérios “estritamente técnicos”.

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