Novo comandante esteve no massacre do Carandiru

Restivo foi denunciado por participação no espancamento de 87 presos, após a invasão da Casa de Detenção

BRUNO PAES MANSO , DIEGO ZANCHETTA , MARCELO GODOY, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2012 | 03h04

O novo comandante da Rota, Nivaldo César Restivo, foi denunciado por participação no espancamento de 87 presos na operação de rescaldo, logo após o massacre na Casa de Detenção do Carandiru, em 2 de outubro de 1992. Restivo aparece ao lado de outros 119 PMs que foram denunciados pela morte de 111 presos.

Ele era 1.º tenente do 2.º Batalhão de Choque, que não participou da invasão do Carandiru. Atuou em um segundo momento, no chamado rescaldo, quando policiais fizeram um "corredor polonês" para espancar presos que se renderam. Segundo o Ministério Público, os oficiais tinham o dever de conter o espancamento causado pelos praças. Foram usados golpes de cassetetes, canos de ferro, coronhadas de revólver e pontapés. Alguns foram feridos por facas, estiletes e baionetas e por mordidas de cachorro. Como os oficiais, de acordo com o MPE, foram omissos, acabaram denunciados.

Prévia intenção. Os promotores apuraram ainda que os oficiais tiraram as insígnias e a identificação dos uniformes, demonstrando "prévia intenção criminosa". Segundo a denúncia, durante a invasão, Restivo usava um revólver Taurus, calibre 38, e uma metralhadora Beretta. O novo comandante da Rota, contudo, não foi acusado de ter praticado homicídio, mas de lesão corporal grave. Entre os integrantes do 2.º Batalhão, os revólveres foram usados para dar coronhadas nos presos.

Restivo é homem de confiança do secretário de Segurança do Estado, Antonio Ferreira Pinto, e substituiu o tenente-coronel Salvador Madia, também denunciado pelo massacre do Carandiru. Madia é acusado de estar presente no 3.º Pavimento do Pavilhão 9, onde foram assassinados 73 presos. Ele deixou a função depois de o número de mortos pela Rota ter crescido 45% nos primeiros cinco meses deste ano, em relação a igual período de 2011. No dia 11, um suposto confronto entre policiais da Rota e suspeitos do Primeiro Comando da Capital (PCC) terminou com nove mortes em Várzea Paulista. O advogado que defendeu Restivo na ação do Carandiru não foi encontrado para falar sobre o caso.

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