Novo chefe da PM promete combater truculência nas abordagens e revistas

Coronel Benedito Meira também quer 'limpar' imagem da Rota nas redes sociais e processar quem defender mortes em nome do batalhão

BRUNO PAES MANSO, MARCELO GODOY, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2012 | 02h03

O novo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Benedito Roberto Meira, de 50 anos, quer combater a truculência nas abordagens e revistas feitas por policiais nas ruas de São Paulo. Ele acredita que elas são o principal "cartão de visitas" da corporação e instrumento estratégico de combate ao crime.

"O contato corporal deve ser feito de forma firme e respeitosa. O cidadão deve ser abordado com dignidade, sabendo o motivo da ação policial. Como diariamente são feitas inúmeras revistas, quando as ações são bem feitas, podem ajudar a tornar a imagem da polícia positiva", afirma.

A Polícia Militar faz cerca de 11 milhões de abordagens por ano. "As revistas são instrumento fundamental no combate ao crime. Assim apreendemos armas, identificamos suspeitos e procurados. Por isso, creio que devemos aperfeiçoar a forma como essas ações são feitas", diz.

Meira também pretende se empenhar para melhorar a imagem das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). Um dos focos do novo comandante são as redes sociais. Ele quer acionar legalmente quem associar a imagem do batalhão com o símbolo da caveira e com ações assassinas em páginas do Facebook.

Grupos como Admiradores da Rota, por exemplo, têm mais de 100 mil seguidores, muitos deles policiais militares que publicam as próprias ocorrências na internet. A ideia do comandante-geral é ter uma página oficial da Rota na internet. "Tomaremos as medidas legais cabíveis contra quem associar à Rota a imagem equivocada da ilegalidade e da violência, que não condizem com a filosofia da Rota", diz.

Para lidar com a crise atual e as ameaças de atentados na corporação, ele já recebeu uma lista de PMs ameaçados e diz que vai orientar esses homens sobre como proceder para diminuir riscos. "A pior coisa para um comandante é segurar a alça do caixão de um policial. Espero não ter de passar por isso."

Porta-retrato. A aproximação do atual comandante-geral com o governador Geraldo Alckmin ocorreu por intermédio do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB). Ambos são da região de Bauru, no interior, onde cresceram na carreira. Até sexta-feira, quando era chefe da Casa Militar, Meira tinha em seu gabinete um porta-retrato onde aparece abraçado com Alckmin e Tobias.

Durante os oito meses em que foi secretário-chefe da Casa Militar, aprendeu a conviver com o governador e assim conquistou sua confiança. "Pouco depois de assumir a Casa Militar, fui um dia conversar com o governador sobre a polícia. Ele me respondeu que era um assunto do secretário de Segurança. Entendi o recado e passei a tratar com ele só os assuntos da minha pasta. Com o tempo, a confiança aumentou e passamos a conversar mais sobre a segurança pública."

Com perfil operacional, o comandante sempre gostou de sair às ruas e acompanhar de perto o trabalho da tropa. Foi saindo com viaturas na zona leste da capital que testemunhou a falta de educação de alguns policiais.

Bom trato. Acostumado a manter um contato direto com a população e com os veículos de comunicação do interior, onde trabalhou boa parte da carreira, Meira diz acreditar que a transparência e o diálogo com a imprensa são fundamentais para melhorar o controle da PM. Pelo menos no discurso, a atual gestão na área de comunicação será diferente da do comandante Roberval Ferreira França, que deixa o cargo e evitava falar com jornalistas.

O novo comandante-geral afirma ainda que atuará junto à Secretaria de Segurança Pública para reverter a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que, ao conceder liminar, fez com que cerca de 70 mil policiais militares tenham seus vencimentos cortados em 5% a 20%. Segundo ele, a recente mudança na presidência do STF dá margens a uma nova decisão.

Hoje, ele se reúne com coronéis da PM paulista para definir os próximos passos da corporação. Meira afirma ser ainda prematuro apontar envolvimento de policiais com grupos de extermínio. "Não temos provas. O que posso garantir é que, se as provas aparecerem, puniremos com rigor", disse.

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