Novo aterro em São Paulo tem vida útil estimada de 10 anos

Capital produz 13 mil toneladas de lixo por dia e novo aterro deve substituir o Bandeirantes, que está esgotado

Eduardo Reina, de O Estado de S. Paulo,

27 de agosto de 2008 | 12h47

O novo aterro sanitário planejado em São Paulo tem vida útil estimada de dez anos e deve receber aproximadamente 6,5 mil toneladas de lixo por dia. O novo aterro substituirá o Bandeirantes, já esgotado e com licença de funcionamento expirada desde março de 2007. "A Prefeitura recebeu os estudos pertinentes e obrigatórios por contrato. Por razões estratégicas - e para não haver especulação imobiliária -, os locais apresentados são sigilosos", disse o presidente da Loga, Luiz Gonzaga Alves Pereira.   Veja também: Entenda como funciona um aterro sanitário  Você faz reciclagem do lixo produzido na sua casa?    Diariamente, São Paulo produz 13 mil toneladas de lixo. Uma área na zona noroeste deverá abrigar um novo aterro sanitário para depósito de parte do lixo da cidade. Outra, na zona leste, está em fase mais adiantada, mas aguarda licença de instalação para início das obras.   Hoje, o lixo que tinha como destino o aterro Bandeirantes vai para uma área particular em Caieiras. São Paulo não tem custos sobre a operação, mas perde a médio prazo com a venda de créditos de carbono, gerados com a utilização do gás produzido no aterro e transformado em energia. Atualmente, a usina instalada no Bandeirantes gera energia para abastecer cerca de 200 mil pessoas em Perus.   A área onde deve ficar o novo aterro já teve declaração de utilidade pública decretada em 2004, na gestão da prefeita Marta Suplicy (PT). O bairro é cercado por árvores, animais são criados soltos nas ruas de terra e há por ali chácaras, fazendas e córregos. Tramita na Comissão de Análise Integrada de Projetos de Edificações e de Parcelamento do Solo (Caieps) da Secretaria de Planejamento um projeto para modificar a qualificação do zoneamento na área. Mesmo que isso ocorra, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente ainda deverão aprovar a viabilidade do novo empreendimento.   Compostagem   "É preciso rediscutir a política pública de resíduos sólidos na cidade. O lixo dos paulistanos vai para as cidades vizinhas. E os aterros que recebem esses resíduos terão vida útil de mais cinco anos. Queremos que a capital pense agora o que fazer nesses próximos cinco anos, para evitar o caos do lixo", alertou José Vicente Pimenta, coordenador da campanha "Mais vida, menos lixo". Ele sugere a criação de centrais de compostagem em todas as regiões de São Paulo para resíduos orgânicos e postos de reciclagem para resíduos secos.   Novos métodos de tratamento dos resíduos, como as usinas de compostagem, também são a sugestão de Carlos Bocuhy, do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) e diretor do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam). "Não tem como ter (aterro) sem sacrificar algo. Ou se desmata ou se sacrifica a população de um bairro."

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