Nove seguem presos após manifestações em SP

Manifestantes estão detidos em delegacia do centro da cidade por suspeita de 'dano ao patrimônio'

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

08 de setembro de 2013 | 14h13

SÃO PAULO - Ao menos nove pessoas continuam presas na tarde de domingo, 8, na cidade de São Paulo após as manifestações de sábado, que acabaram em confronto com a Polícia Militar. Segundo um agente da Polícia Civil, os detidos estão na carceragem do 2.º Distrito Policial (Bom Retiro), na região central, e devem ser levados para um centro de detenção provisória na segunda-feira, 9, caso a Justiça não lhes conceda um alvará de soltura.

De acordo com o policial ouvido pela reportagem, os presos, que chegaram à delegacia na madrugada de domingo, são do sexo masculino e jovens. A maioria foi detida por suposto "dano ao patrimônio". Nos protestos, que começaram na Avenida Paulista e seguiram para o centro, pelo menos nove agências bancárias tiveram os vidros quebrados ou pichados.

Nenhum advogado havia procurado os jovens que permanecem detidos no 2.º DP no início da tarde de domingo. A reportagem procurou a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) para saber quantas pessoas foram detidas ao todo durante as manifestações, mas o órgão ainda não tinha um balanço sobre o assunto por volta das 14h, quase 20 horas após as primeiras detenções.

Cartel. Cerca de 1,5 mil pessoas, boa parte delas associada ao movimento dos Black Blocs, tomaram as ruas da capital paulista no sábado. Várias causas foram levadas ao protesto, mas o governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi o principal alvo, por conta da suspeita de cartéis milionários em obras do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) ao longo das gestões tucanas no governo do Estado. Pichações contra ele foram feitas no percurso da marcha.

Na frente do prédio da Câmara Municipal, no Viaduto Jacareí, no centro, policiais militares e manifestantes mascarados entraram em confronto. Após um grupo arremessar algumas pedras em sua direção, PMs revidaram com dezenas de bombas de gás lacrimogêneo, apesar de haver crianças e idosos no viaduto. A reportagem flagrou policiais militares jogando pedras nos Black Blocs. Um rapaz de 19 anos teve o olho direito atingido por uma bomba.

Atropelamentos. Após uma dispersão, os mascarados seguiram para a Praça da Sé, onde três pessoas foram atropeladas. Duas delas, na rua lateral à Catedral Metropolitana. A primeira, um homem de 30 anos, foi atingida por um Corsa em alta velocidade -- o motorista supostamente fugia do protesto. A vítima quebrou o pé direito e ficou com ferimentos nas pernas, sangrando.

A outra vítima, um homem de 28 anos, caiu de uma viatura da PM, que disparou após ser cercada por um grupo de manifestantes que pediam socorro para o primeiro atropelado. No momento em que a viatura arrancou, o homem continuou sobre o capô do carro da polícia protestando por ajuda. Mesmo assim, a viatura não parou. Na hora em que o carro dobrou para a Praça João Mendes, o manifestante caiu no asfalto, ferindo-se. A reportagem de vídeo da TV Estadão mostra a sequência. A filmagem foi feita por um membro do coletivo Brasil à Luta.

Essas duas pessoas ficaram por mais de meia hora deitadas no asfalto, sem nenhum tipo de auxílio da PM. Outras viaturas e motos da PM tentaram ser paradas pelos manifestantes, mas os pedidos não foram atendidos.

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