Daniel Teixeira/Estadão
Vista geral da favela de Paraisopolis, zona sul de São Paulo Daniel Teixeira/Estadão

Nove pessoas morrem pisoteadas durante baile funk em Paraisópolis

Tragédia aconteceu na madrugada deste domingo após chegada da Polícia Militar ao local

Paula Felix e Marco Antonio Carvalho, O Estado de São Paulo

01 de dezembro de 2019 | 12h24
Atualizado 02 de dezembro de 2019 | 15h39

SÃO PAULO - Nove pessoas morreram pisoteadas e 12 ficaram feridas durante tumulto após ação da Polícia Militar em baile funk na comunidade de Paraisópolis, zona sul de São Paulo, na madrugada deste domingo, 1.º. A corporação afirma que os agentes de segurança perseguiam dois suspeitos em uma moto, quando entraram no local da festa, que reuniu cerca de 5 mil pessoas. Já moradores, em relatos e vídeos, acusam os PMs de agir com truculência. O Estado informou que vai investigar as circunstâncias das mortes para apontar se houve excessos. 

Os nomes dos mortos não foram divulgados. Segundo a PM, eram oito homens (ao menos dois adolescentes) e uma mulher. Muitas das vítimas não eram de Paraisópolis, segundo moradores, o que pode ter dificultado tentativas de fuga do local, que tem cerca de 100 mil habitantes e é vizinho ao Morumbi, bairro de classe média alta da zona sul. 

Conforme a versão oficial, seis PMs estavam na Avenida Hebe Camargo, perto da comunidade, quando uma dupla passou de moto por volta das 5h30 da manhã e atirou contra os policiais. Conforme a PM, a dupla fugiu em direção à festa e foi perseguida. Ao chegar ao baile, os policiais dizem que começou o tumulto e os suspeitos se esconderam na multidão. Isso teria feito com que participantes da festa, em pânico, tropeçassem e se machucassem gravemente. 

“Usaram as pessoas como escudos humanos para tentar impedir a ação da polícia”, afirmou o porta-voz da PM, tenente-coronel Emerson Massera. “As pessoas foram na direção (dos PMs) arremessando pedras e garrafas. Houve necessidade de munição química. Quatro granadas, duas de efeito moral e duas de gás lacrimogêneo, além de oito disparos de bala de borracha para dispersar as pessoas que estavam no local colocando em risco a vida dos policiais e dos frequentadores.” Conforme a PM, não houve disparo de armas de fogo, mas os equipamentos dos agentes foram apreendidos para análise pericial. Não houve suspeitos detidos. 

Em relatos nas redes sociais e ao Estado, testemunhas afirmam que os PMs cercaram os participantes da festa nas vielas da comunidade e apontam truculência dos agentes de segurança. Nas redes sociais, circulam vídeos de supostas agressões cometidas por PMs, mas não há confirmação sobre data e local exatos das gravações. Nas imagens, é possível ver também que as pessoas ficaram encurraladas em becos. 

(As pessoas) não foram encurraladas. Uma pessoa tropeçou e caiu. Outras estavam tentando sair e pisotearam”, disse o porta-voz da polícia, destacando que a investigação ainda apontará se houve falha. Segundo ele, vídeos recebidos pela PM serão analisados para apontar se as gravações se referem de fato ao baile e se houve excessos. Algumas imagens, disse, “sugerem abusos e ação desproporcional por parte da polícia”, mas ainda não é possível dizer se são verdadeiras e se há culpados. 

O governador João Doria (PSDB), disse, no Twitter, ter determinado “apuração rigorosa” para esclarecer “as circunstâncias e responsabilidades deste triste episódio”. A Polícia Civil e a Ouvidoria das Polícias também vão apurar o caso. 

Crítica

“Todas as circunstâncias precisam ser apuradas, se de fato houve perseguição policial contra suspeitos ou se isso foi inventado como álibi”, disse o advogado Ariel de Castro Alves, do Conselho Estadual de Direitos Humanos. “Mas, mesmo tendo perseguição, não se justifica esse tipo de ação. Deveria ter planejamento maior, já que ali estavam cinco mil pessoas.”

À noite, centenas de moradores carregaram cruzes e cartazes em protesto pelas ruas de Paraisópolis. Motociclistas acompanharam o cortejo, que por vezes parou para lembrar os nomes das vítimas.

Festa de Guarulhos em 2018 teve três mortes após ação policial

Em novembro do ano passado, uma ação policial em um baile funk em Guarulhos, na Grande São Paulo, também terminou com tumulto e três mortos. Segundo testemunhas, a confusão teve início quando Polícia Militar (PM) jogou bombas e spray de pimenta nos participantes da festa. 

No local, morreram pisoteados Marcelo do Nascimento Maria, de 34 anos, Micaela Maria de Lima Lira, de 27 anos, e Ricardo Pereira da Silva de 21 anos.  À época, a PM instaurou inquérito policial-militar para apurar todas as circunstâncias dos fatos e verificar se há conexão entre as mortes e uma tentativa de abordagem dos agentes de segurança. Procurada neste domingo, a Secretaria de Segurança Pública disse que somente seria possível informar se houve conclusão dessa apuração na segunda-feira. 

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'Ele estava no local errado, na hora errada', diz mãe de jovem morto

Vítima tinha 16 anos; nove morreram durante ação policial em comunidade da zona sul de São Paulo

Marco Antônio Carvalho e Paula Felix, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2019 | 16h19
Atualizado 02 de dezembro de 2019 | 15h36

SÃO PAULO - A vendedora Maria Cristina Quirino Portugal estava com raiva do filho Denys Henrique Quirino da Silva, de 16 anos. Ele havia saído para trabalhar na tarde de sábado e até a manhã deste domingo, 1º, não tinha dado notícia. A informação sobre o seu paradeiro veio do pior modo possível: o hospital telefonou informando sobre a morte do jovem em tumulto no baile funk de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. Mais oito pessoas morreram na confusão, que começou após chegada da PM ao local.

Moradora do bairro do Limão, na zona norte, onde vive com os quatro filhos, Maria Cristina não entendeu como o filho foi parar em um baile funk tão longe de casa. “Ele saiu para trabalhar e não voltou. Até receber a ligação do hospital, eu estava brava com ele, escrevi um textão cobrando mais consciência e isso só passou quando o vi gelado no IML”, disse a mãe da vítima, em frente ao 89.º Distrito Policial (DP), onde o caso está sendo investigado. Ela acredita que foi a primeira vez que o filho, que era auxiliar de serviços gerais em uma loja de tapetes, tinha ido a esse baile. 

Maria Cristina contou que cresceu na Brasilândia, na zona norte, onde a muvuca de bailes funk a incomodava bastante. Sobre a ação policial, porém, acredita que poderia ter sido feita de forma a evitar a confusão. “Nasci e cresci em periferia e sei que nem todo mundo ali é bandido. Ao contrário. Sou a favor da polícia, mas isso que aconteceu não poderia ter acontecido, sou cidadã. A estratégia tem de ser diferente, sem bala de borracha, sem gás. Tem de acabar com os bailes antes de começarem. Caso contrário, outras mães vão perder seus filhos”, disse. 

O corpo do seu filho, contou, não tinha nenhuma marca mais expressiva que pudesse explicar a morte, como alguma perfuração de tiro, o que, para ela, em um primeiro momento, tornou plausível a explicação de pisoteamento. “Não tem marca de nada, mas ele não conseguiu se defender”, lamentou. “Estou vazia. Ele estava no local errado, na hora errada.”

Horas depois, no IML, Maria Cristina voltou a reforçar as críticas à ação policial. Ela disse ter ido à tarde ao local onde as mortes aconteceram e ter visto vídeos gravados por moradores. “Depois dos vídeos, agora acho que meu filho foi assassinado pela polícia. Não tem outra explicação. Eles estavam batendo e chutando as pessoas nas vielas. O que eu vejo agora é que ocorreu uma chacina.”

O irmão de Denys, Danylo Amílcar, de 19 anos, reforçou o protesto contra a ação policial. “Meu irmão não era um bandido e morreu. Precisamos ter uma investigação justa. Foi uma ação truculenta na favela. É muito fácil falar que foram pisoteados e ficar por isso mesmo.” À noite, ele sustentava que a ausência de marcas na roupa do irmão sugeria que não houve um pisoteamento e que ele teria sido morto de outra forma.

Procura

No fim da tarde, o ascensorista Roberto de Oliveira, de 44 anos, chegou ao Hospital Municipal do Campo Limpo, na zona sul da capital, procurando informações sobre o sobrinho Gustavo Cruz Xavier, de 14 anos. Ele sabia que o jovem tinha ido ao baile e, nos vídeos que circularam nas redes sociais, identificou o garoto. “No vídeo, ele está caído e desacordado. Não era a primeira vez que ele ia ao baile e ele voltava, no máximo, às 7 horas. Mas (desta vez) ele não apareceu”, disse. 

Oliveira tentou confirmar que o sobrinho estava no hospital, mas não conseguiu. Ele conta que o jovem estava sem os documentos. Por volta das 18 horas, o ascensorista foi para a unidade central do Instituto Médico Legal (IML), onde estavam as vítimas sem identificação. Pouco mais de uma hora depois, veio a confirmação de que o jovem era uma das vítimas fatais. “Acabei de fazer o reconhecimento pela foto. Infelizmente, era ele.”

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Paraisópolis: Jovem diz ter ficado encurralada e relata agressão de policial

Mãe conta que garota de 17 anos teve de levar pontos na testa e no queixo após ser ferida por garrafa e cassetete

Paula Felix, Marco Antônio Carvalho e Cecília do Lago, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2019 | 21h26

SÃO PAULO - A mãe de uma jovem de 17 anos relatou ao Estado que a adolescente foi agredida por um policial militar durante o baile funk em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. A festa terminou com nove pessoas mortas. “Ela levou uma garrafada na região da cabeça. Levou pontos no centro da testa, em volta do olho e no queixo. Deve ter levado uns 50 pontos. Ela afirma que foi agredida por um policial e está com marcas de cassetete nas costas”, disse a dona de casa, de 36 anos, que pediu anonimato, na noite deste domingo, 1º.

Ela conta que não sabia que a filha estava no local, mas descobriu ainda na madrugada, quando recebeu uma ligação do posto de saúde de Paraisópolis. A família mora em Pirituba, na zona norte. Segundo o relato da garota, os participantes do baile teriam ficado encurralados durante a ação policial. “Ela já tinha ido lá outras vezes, escondida. Minha filha relata que estava acontecendo o baile e os policiais fecharam os dois lados. Eram mais de duas viaturas de cada lado. Tinha uma viela e vieram os policiais, cercaram entrada e saída. No desespero, não tinha para onde correr.”

A jovem teria sido agredida ao tentar ajudar outra garota, que também estaria sendo agredida por um PM. “Ela saiu de perto do namorado e, quando foi levantar a menina, o policial ‘tacou’ a garrafa na cara dela. Ela ficou internada 12 horas porque fez tomografia do crânio para ver se não tinha sangramento ou fratura. Quem sobreviveu nasceu de novo.”

Pânico

O dono de um bar na comunidade, que também não quis ser identificado, disse que o baile ocupava de três a quatro quarteirões. Segundo ele, os PMs apareceram uma vez e logo depois voltaram disparando balas de borracha e bombas de gás. Ele relatou não ter visto a perseguição descrita pela PM. 

Ao ver a confusão, ele baixou a porta e acolheu oito pessoas que estavam com um paredão de som na frente do seu bar. Desligaram a luz e ficaram em silêncio por algumas horas. Saíram só quando o dia já estava claro.

O público que frequenta o bar aos sábados tem perfil diferente do que vai ao local nos outros dias. Pedreiros, pintores e operários dão lugar a jovens com paredões de som que se proliferam em dia de baile. 

O baile onde houve o tumulto é o da 17, um dos maiores da região, referência a um antigo comerciante que deu início a uma festa há cerca de dez anos. A festa mudou de dono, mas prosperou e, aos sábados, atrai milhares em uma mistura com bailes menores e simultâneos. 

Ao Estado, o dono do bar disse que não é incomum a presença policial na área. “Às vezes são educados, chegam e pedem para fechar. Em outras, lançam bomba aqui dentro e batem nos frequentadores”, relatou. Procurada, a Secretaria de Segurança Pública disse que, por ser domingo, não conseguiria apurar e se manifestar sobre relatos de violências ocorridas em outros dias. 

Polícia relata disparo de suspeitos

Conforme a versão oficial, seis PMs estavam na Avenida Hebe Camargo, perto da comunidade, quando uma dupla passou de moto por volta das 5h30 da manhã e atirou contra os policiais. Conforme a PM, a dupla fugiu em direção à festa e foi perseguida. Ao chegar ao baile, os policiais dizem que começou o tumulto e os suspeitos se esconderam na multidão. Isso teria feito com que participantes da festa, em pânico, tropeçassem e se machucassem gravemente. 

“Usaram as pessoas como escudos humanos para tentar impedir a ação da polícia”, afirmou o porta-voz da PM, tenente-coronel Emerson Massera. 

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Análise: Ação da PM em baile funk não fez justiça a protocolos e treinamento

Polícia paulista tem um preparo sério e com referências internacionais para o controle de multidões, mas nesse caso específico faltaram prudência, análise de risco e comando para minimizar danos

Ivan Marques, pesquisador

01 de dezembro de 2019 | 21h48

A operação da PM de São Paulo na madrugada de domingo, 1º, em Paraisópolis, que resultou na morte de nove pessoas pisoteadas, foi um fracasso. Independente das versões contadas, se houve ataque à PM ou se uso excessivo da força - como indicam os vídeos que circulam na internet -, a operação terminou em morte, resultado que indica, por si só, fracasso geral.

No estado democrático de direito nunca se comemora o resultado-morte, independentemente da legitimidade ou não do uso da força pela polícia. Esse tipo de operação em locais confinados precisa ser pensada anteriormente por todos os níveis de comando envolvidos, do estratégico ao tático até o operacional. Da maneira como aparentemente se deu, nunca poderia acontecer naquele cenário e com os procedimentos que até agora foram revelados.

Neste teatro de operações específico, com ruas apertadas e grande aglomeração, a PM não poderia fechar uma grande quantidade de pessoas em um espaço pequeno, com pouca possibilidade de evasão e sem controle da situação. É um risco que precisa ser calculado e no caso de Paraisópolis, não parece que foi o que aconteceu e teve o resultado que teve. Ou seja, foi uma operação desordenada e com final catastrófico.

Não foi, no entanto, uma situação decorrente da falta de treinamento da PM, que tem um preparo sério e com referências internacionais para o controle de multidões. Treinamento que eu acompanhei muito de perto enquanto fiz parte do Instituto Sou da Paz.

O instituto chegou a levar policiais para ter conhecimento de outras técnicas de controle de multidão à Irlanda do Norte e Inglaterra, onde participaram de treinamentos e aprenderam sobre as dificuldades e soluções trazidas para situações de confronto com multidões. Ou seja, a polícia tem um bom treinamento e uma boa preocupação para esses casos.

O problema com a ação em Paraisópolis é que, pelo relato dos fatos, tanto por parte da PM quanto dos moradores, faltou prudência, análise de risco e comando para minimizar os riscos ali presentes.

Tratar de multidões como a PM cotidianamente trata no controle de manifestações e passeatas exige técnica, cumprimento de protocolos e uma cadeia de comando para tomar a decisão correta no momento em que essas circunstâncias não previstas acontecem.

E para tudo isso existe treinamento e protocolo a ser seguido. Vendo o resultado da operação e pelos riscos que ali se apresentavam, com as informações preliminares que nós temos, me parece que nenhum desses protocolos e desses treinamentos foi utilizado.

Pareceu uma operação desordenada e que teve como resultado as morte, ou seja, o fracasso se deu às custas de pessoas que, envolvidas ou não aos supostos ataques à PM, foram vitimadas.

É por isso que o caso precisa ser investigado, a corregedoria precisa atuar, a polícia civil precisa investigar e o Ministério Público fiscalizar para entender o que aconteceu nessa madrugada. Esse resultado catastrófico não deve fazer parte do repertório da Polícia Militar de São Paulo, que, reforço, tem um bom treinamento e bons protocolos para atuar com multidões.

É importante lembrar, ainda, que o trabalho policial é um serviço público como qualquer outro e só vai se aprimorar quando houver a fiscalização da sociedade para cada uma de suas atuações. E a cobrança de respostas quando o serviço for mal prestado.

O que se viu em Paraisópolis foi um serviço público que deu errado a ponto de pessoas morrerem. Esse tipo de cobrança cotidiana ajuda a polícia ou qualquer outro serviço público a melhorar suas práticas. Se a sociedade não aceitar o resultado-morte em uma operação policial, a polícia vai se sentir pressionada a aprimorar cada vez mais os seus serviços para que esse tipo de conclusão não aconteça mais.

Agora, é exatamente nesse ponto que transparência, publicidade das investigações e accountability, essa prestação de contas à sociedade por parte da polícia, precisa melhorar muito no Brasil e não só para casos como este, mas para qualquer tipo de operação policial.

Em comparação com outros países com democracias mais evoluídas, incluindo a questão policial, boa parte dos protocolos de engajamento e ações da polícia estão publicados na internet - é uma política de "sem surpresa" no trabalho policial. O cidadão sabe o que a polícia pode ou não fazer, incluindo usar a força, e o policial também sabe de antemão seus limites e sabe que não pode ultrapassá-los. Em casos de ações com aglomerações, o policial tem identificação clara e visível. E, assim, você consegue aprimorar esse tipo de serviço em benefício da sociedade.

Não tem sido o caso das polícias brasileiras, e nesse ponto não coloco a polícia paulista no foco, mas a forma como as forças policiais do país tem agido como um todo. A polícia brasileira não pode ser uma caixa-preta. A sociedade precisa cobrar satisfações dessas operações malsucedidas. Principalmente quando o Estado brasileiro tira a vida de nove pessoas porque não agiu de acordo com o que se esperava dele.

* Ivan Marques é pesquisador em segurança pública e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

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Após mortes em baile funk, moradores de Paraisópolis realizam protesto

A manifestação com centenas de moradores da região percorreu ruas da região. As pessoas carregavam cartazes e cruzes. Vítimas foram pisoteadas nesta madrugada

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2019 | 22h45

SÃO PAULO - Moradores de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, realizaram um protesto na noite deste domingo, 1, depois de uma ação truculenta da Polícia Militar na região. A correria causada pela operação policial deixou nove pessoas mortas por pisoteamento na madrugada deste domingo. No ato, os moradores pediram uma investigação célere e justa e cobraram por justiça. 

A manifestação com centenas de moradores da região percorreu ruas da região. As pessoas carregavam cartazes e cruzes. As mensagens expressavam a dor do luto e o desejo por uma comunidade onde a paz seja a rotina. Motociclistas acompanharam o cortejo, que por vezes parou para lembrar os nomes das vítimas. 

Além das nove mortes, a ocorrência terminou com sete pessoas feridas. Policiais militares disseram que perseguiam dois suspeitos em uma motocicleta quando entraram no local onde ocorria a festa, com cerca de cinco mil pessoas, segundo a corporação. Ao chegar à comunidade, os policiais afirmam que teve início o tumulto e os suspeitos se esconderam na multidão. Isso causou pânico e fez com que participantes da festa tropeçassem e se machucassem gravemente. Os agentes de segurança dizem ter sido atacados por garrafas e pedras e pediram reforço da Força Tática para deixar o local.

A Polícia Civil e a Ouvidoria das Polícias do Estado de São Paulo informaram que vão apurar as circunstâncias dessas mortes. O ouvidor das polícias, Benedito Mariano, disse ao Estado que entrou em contato com a Corregedor da PM neste domingo e pediu que a apuração da polícia seja conduzida por esse órgão.

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