Novas técnicas podem definir condenação

Mesmo sem o corpo da vítima nem a preservação do local do crime, o assassinato de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes, principal suspeito do caso, pode acabar em condenação. Novas técnicas de investigação - e depoimentos colhidos pela polícia mineira - podem ser suficientes para reconstituir o que aconteceu e apontar a autoria do assassinato.

Bruno Paes Manso e Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2010 | 00h00

"Uma investigação precisa seguir um raciocínio lógico a partir das evidências encontradas. O desafio da polícia passa então a ser a definição da autoria, motivo e circunstâncias. Sempre baseada em provas subjetivas e objetivas", afirma o diretor do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa de São Paulo, Marco Antônio Desgualdo.

No quebra-cabeça de Minas, as provas subjetivas são os depoimentos. Dois deles, dados por primos do goleiro, apontaram o local do crime, definiram trajetos, datas e carros usados pelo grupo. Versões que precisam ser sustentadas pelas provas objetivas. Nesse ponto, avanços tecnológicos e novas técnicas da medicina legal fazem a diferença. "Luzes e reagentes que fazem aparecer vestígios e manchas invisíveis a olho nu, além de testes laboratoriais de DNA e informações fornecidas pelo celular estão entre os avanços", diz a perita Rosângela Monteiro, do Núcleo de Crimes Contra a Pessoa do Instituto de Criminalística.

Provas objetivas já começaram a surgir. Na perícia mais determinante, a feita na Range Rover do goleiro, as manchas de sangue eram evidentes. "Macroscopicamente, ou seja, a olho nu, você via que havia manchas de sangue no carro", diz o diretor do Instituto de Criminalística mineiro, Sérgio Ribeiro. Um exame de DNA apontou que o sangue era de Eliza. O reagente luminol ajudou a polícia a encontrar vestígios de sangue no porta-malas do Citroën usado pelo ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, acusado de executar Eliza.

No local do crime, no sítio de Bruno - onde Eliza ficou por quatro dias -, nos carros usados para transportar a vítima, luzes forenses podem ajudar a identificar os mínimos vestígios, como fios de cabelo, fibras de roupa, impressões digitais, capazes de confirmar ou derrubar versões. "O que ocorre na casa dele é que o piso é de um material impermeável, que não tem porosidade para a penetração do sangue", explica o diretor do IC.

As estações rádio-base de celular podem fornecer horário e por onde passaram os investigados. A polícia já sabe que Eliza estava na região metropolitana de Belo Horizonte quando telefonou para uma amiga, no dia 9 de junho, data em que teria sido morta.

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