Gabriela Biló/Estadão
Movimentação. Passageiros relataram que as paradas de conexão ampliaram o público; em contrapartida, caiu o número de passageiros na Linha 4 Gabriela Biló/Estadão

Novas estações fazem linha da Paulista ter 50 mil viagens a mais por dia

Número de passageiros na Chácara Klabin foi multiplicado por seis: de 8 mil para 48 mil em uma semana

Ana Paula Niederauer e Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2018 | 03h15

SÃO PAULO - A Linha 2-Verde da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) passou a ter 50 mil viagens diárias a mais após o início da operação em horário comercial das novas estações da Linha 5-Lilás. O número saltou de uma média de 701 mil, nos dias úteis de agosto, para de 750 mil a 753 mil, na semana passada. 

O aumento de usuários no ramal já era esperado pelos engenheiros da empresa e por especialistas. O motivo é que a nova Linha 5 abriu mais opções de conexão para os passageiros que circulam pela rede, sobretudo da zona sul. Antes, muitos tinham como única forma de conexão um circuito de baldeações que incluía a Linha 5-Lilás até Santo Amaro, a Linha 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e a Estação Pinheiros da Linha 4-Amarela. 

Agora, há possibilidade de o usuário fazer conexões diretas entre a zona sul e as Linhas 1-Azul e 2-Verde, nas Estações Santa Cruz e Chácara Klabin. Essas paradas, pelos dados da companhia, tiveram aumento ainda maior do número de usuários. Na Santa Cruz, na semana passada, a média foi de 108 mil passageiros por dia, ante média anterior de 63 mil nos dias úteis.

Na Chácara Klabin, que até setembro era a estação mais vazia de toda a rede metroferroviária, o número foi multiplicado por seis: o total de usuários passou de 8 mil para 48 mil em uma semana. Segundo a ViaMobilidade, concessionária que administra a Linha 5-Lilás, na Estação Chácara Klabin embarcaram 42 mil pessoas, na média, nos dias 16 e 17 da semana passada. Na Santa Cruz, foram 60 mil pessoas, na média dos mesmos dias.

Os usuários já sentiram a diferença. “Antes da abertura da Linha 5-Lilás não tinha ninguém aqui na Chácara Klabin. Eu percebi que depois da inauguração aumentou o número de usuários, mas o trem não chega a ficar lotado”, diz a usuária Paola Couto Rennó, de 32 anos, que usa a Linha 2 diariamente. 

“A baldeação reduz o fluxo de passageiros nas outras linhas”, afirma o usuário Antônio Souza, de 47 anos. “Era vazio. Quatro, cinco pessoas esperavam o trem na plataforma”, diz Aline Feitosa da Silva, de 32 anos.

Menos sufoco

O crescimento diminuiu, ao menos um pouco, a superlotação nas conexões da Linha 4-Amarela. O ramal, que sai da Luz e vai até o Butantã, passando por baixo das Ruas da Consolação e dos Pinheiros, na zona oeste, tinha desde 2012 um problema de superlotação no túnel que faz a conexão com a Linha 2-Verde, na Paulista. A questão também era queixa constante na Estação Pinheiros, onde a Linha 4 se conecta à CPTM.

A ViaQuatro, concessionária da Linha 4, informou ao Estado que 130 mil pessoas passaram pela Estação Paulista nos dias 16 e 17. É um número 7% menor do que a média dos dias úteis no mês anterior, segundo a empresa. Em Pinheiros, a redução foi maior: 14% no mesmo período. 

Pontos-chave

Passageiro fazia baldeação até pela CPTM

Caminho anterior

Circuito de baldeações na zona sul incluía a Linha 5-Lilás até Santo Amaro, a Linha 9-Esmeralda da CPTM e a Estação Pinheiros da Linha 4-Amarela.

Mudança

Agora, há possibilidade de o usuário fazer conexões diretas entre a zona sul e as Linhas 1-Azul e 2-Verde, nas Estações Santa Cruz e Chácara Klabin.

Resultado

Somente na Estação Santa Cruz, na semana passada, a média foi de 108 mil passageiros por dia, ante média anterior de 63 mil nos dias úteis.

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Famílias se alojam sob viga do monotrilho

Área no Brooklin Paulista fica ao lado do que foi a Favela Buraco Quente, desapropriada há cinco anos; terreno pertence à Prefeitura de São Paulo

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2018 | 04h15
Atualizado 23 de outubro de 2018 | 12h33

SÃO PAULO - “Fé em Deus”, diz a inscrição na entrada de um terreno a poucos metros da futura Estação Jardim Aeroporto, no Brooklin Paulista, zona sul da cidade de São Paulo. Ali, sete famílias vivem em barracos debaixo das vigas do que será a Linha 17-Ouro do Metrô. “Perdemos tudo em um incêndio no (Morro do) Piolho. A gente construiu aqui com o que achou em caçamba”, diz a dona de casa Rosângela Filgueiras, a Zana, de 49 anos. 

O local é uma área estreita entre dois muros: o que o separa da calçada da Rua Palmares, próximo do cruzamento das Avenidas Washington Luís e Jornalista Roberto Marinho; e o do conjunto habitacional Estevão Baião, iniciado pela Prefeitura em 2011 e com entrega prevista para o próximo ano.

No cadastro do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), o local é parte de um lote único de propriedade municipal. Imagens do sistema Google Street View mostram que estava vazio em 2015, apresentando apenas quatro placas do conjunto Estevão Baião. Hoje, essas mesmas sinalizações são utilizadas pelos moradores para proteger a entrada dos barracos. 

A área municipal fica ao lado do que foi a Favela Buraco Quente, desapropriada pelo Estado há cinco anos para a construção do conjunto habitacional Campo Belo. Enquanto a obra não é iniciada, antigos moradores da favela, como Zana, recebem auxílio-moradia.

“R$ 400 não dá para nada. Por isso que tem de morar em um lugar desses. Sem emprego, sem qualificação e vivendo de bico, não tem como pagar aluguel”, diz ela, que vive com o marido, José Luís dos Santos, de 55 anos. 

A menos de um quilômetro de distância, próximo do Aeroporto de Congonhas, uma viga do monotrilho caiu há quatro anos, matando um operário. Uma estrutura desse tipo pode pesar até 95 toneladas. Zana não teme, contudo, um novo incidente e descreve o dia a dia por lá como “calmo”.

No local, também vive Angelina Nunes de Souza, de 27 anos. A dona de casa mora com a filha de 6 anos e 8 meses e com o marido, Edvaldo Pereira da Silva, de 38 anos, que hoje trabalha com coleta de material reciclável e faz bicos de carpinteiro.

Segundo ela, a família se mudou para debaixo do monotrilho há cerca de um ano, poucos meses após Silva ser demitido de um emprego na obra da própria Linha 17-Ouro. “Não tinha mais como pagar aluguel.”

Trecho inicial do monotrilho da zona sul deve ser entregue em 2019

As obras da Linha 17-Ouro foram iniciadas em 2012, com previsão de entrega do trecho inicial, de oito estações, para a Copa do Mundo de 2014. Hoje, a nova estimativa é para o segundo semestre de 2019.

O governo do Estado estima que a obra custe R$ 4,8 bilhões e que, ao fim, ligue o Jabaquara ao Morumbi, passando por uma estação no Aeroporto de Congonhas, na zona sul. Por meio de nota, a Companhia do Metropolitano de São Paulo disse que a área foi utilizada “apenas temporariamente para a implantação de um pilar e das vigas que o acompanham”. 

“Todos os canteiros de propriedade do Metrô utilizados para a construção da Linha 17-Ouro são isolados por tapumes e contam com seguranças uniformizados que realizam rondas constantes por toda a extensão da obra”, ressaltou a companhia.

Já a Prefeitura diz que autorizou, em fevereiro de 2013, que o Metrô ocupasse parte do terreno do conjunto habitacional Estevão Baião "para instalação do canteiro de obras e implantação das bases do monotrilho, seguido da construção de um muro de arrimo pela Companhia".

"Embora a área não esteja no perímetro de obras do conjunto habitacional e tenha sido utilizada pela Companhia durante os últimos anos, a Prefeitura vai realizar visita no local para identificar a situação do espaço", acrescentou.

De acordo com o governo do Estado, o conjunto habitacional Campo Belo está em fase de aprovação de projetos na Prefeitura e não tem prazo estabelecido para início da obra. O governo informou, ainda, que o auxílio-moradia “serve para incrementar a renda das famílias”./ COLABOROU BRUNO RIBEIRO

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