Novas escutas ligam líder a ataque a ônibus escolar

Pena de grevistas envolvidos em atos de vandalismo pode chegar a 14 anos de prisão; PMs serão julgados por motim e revolta

O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2012 | 03h01

Uma gravação feita pela Polícia Federal na manhã de segunda-feira (6) aponta que o líder da greve na Bahia e presidente da Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado (Aspra), Marco Prisco, teria ordenado a queima de um ônibus escolar em Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador. O áudio, obtido ontem pela revista Época, registra um telefonema entre Prisco e o sargento Francisco Ataíde Fonseca.

Segundo a Polícia Federal, Prisco e Fonseca usam o código "Missão Feijoada" para se referir ao incêndio. No mesmo dia da gravação, um ônibus que levava seis alunos de ensino médio foi interceptado por homens armados e esvaziado. Os homens então espalharam combustível no veículo e atearam fogo.

Horas antes, Prisco pedia pressa para Fonseca na realização da "operação". "Vai fazer a missão, pelo amor de Deus. Vai fazer a missão lá na 'Feijoada', lá", disse o líder da greve.

Na noite de anteontem, a liderança dos policiais que ocupavam a Assembleia Legislativa desde o dia 1.º decidiu desocupar o local, depois da divulgação de conversas telefônicas entre lideranças regionais e nacionais do movimento grevista, que apontavam atos de vandalismo.

Se condenados, os 12 líderes acusados de crimes durante a greve podem pegar de 5 a 14 anos de prisão, pela Justiça comum. Os cinco presos são suspeitos de roubo, formação de quadrilha, incitação ao crime e ameaça.

Já os policiais que invadiram a Assembleia e pegaram em armas podem ser condenados na Justiça Militar por crimes de motim e revolta, o que pode dar de 4 a 20 anos de cadeia. "Se for condenado pelo crime comum e militar as penas ainda são somadas", explica o juiz Ronaldo João Roth, da Justiça Militar de São Paulo.

Cerca de 500 policiais decidiram ontem manter a paralisação, mas diminuíram as reivindicações. Após a prisão de Prisco, eles elegeram uma comissão de oito PMs, para representar o movimento. Uma assembleia foi marcada para hoje, às 16h. "Acho que vamos resolver tudo antes do carnaval", disse um dos novos líderes, o soldado Ivan Carlos Leite. "Não há motivo para estender a mobilização até lá."

Parte dos grevistas insiste na revogação dos mandados de prisão contra 12 líderes do movimento (cinco deles já cumpridos). Mas as entidades admitem que encerram a paralisação se houver pagamento de parte da Gratificação por Atividade Policial do nível 4 (GAP 4) em março e antecipação do pagamento da GAP 5 (previsto para 2014).

O governo, porém, diz não ter espaço no orçamento para realizar o pagamento no mês que vem e mantém a proposta de depositar a GAP 4 em novembro. "Nossa proposta leva o governo ao limite da lei de responsabilidade fiscal", diz o governador Jaques Wagner (PT).

Ontem, os oficiais da PM decidiram não aderir à greve. "O povo baiano já ficou refém demais", disse o presidente da Associação dos Oficiais, coronel Edmilson Tavares.

Desfiliação. O presidente do PSDB na Bahia, Sérgio Passos, informou que aguarda um pedido de desfiliação de Prisco. Como o sindicalista já declarou que quer deixar o partido, não é necessária a expulsão. "Ele não coaduna com as ideias do partido." / TIAGO DÉCIMO e BRUNO PAES MANSO

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