Nova testemunha diz ter visto PMs matarem o garoto Juan

Moradora de favela disse que agentes esconderam corpo em sofá; ontem, foi feita a reconstituição do crime em Nova Iguaçu

Tiago Rogero, O Estado de S.Paulo

09 Julho 2011 | 00h00

Um forte esquema policial foi montado ontem para a reconstituição dos últimos momentos de Juan de Moraes, de 11 anos, morto após operação policial do 20.º BPM (Mesquita) na comunidade Danon, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. Os acessos ao beco onde o garoto foi visto pela última vez, na noite do dia 20, foram isolados.

Uma moradora da favela disse ontem, em entrevista ao Jornal Nacional, ter testemunhado o assassinato de Juan por policiais militares. "Primeiramente, eles mataram o bandido, depois o Juanzinho correu. E esconderam (o corpo) debaixo de um sofá. Trinta minutos depois, pegaram o corpo e jogaram na viatura", disse a dona de casa, que não foi identificada.

O sofá havia sido abandonado perto do beco onde Juan foi morto. "No dia seguinte, eles (os policiais) vieram e queimaram o sofá para não ter provas", acrescentou a testemunha.

A reconstituição começou por volta de meio-dia, sem os quatro policiais suspeitos de envolvimento no crime - eles afirmaram ter trocado tiros com traficantes na noite em que Juan desapareceu. O advogado dos militares, Edson Farias, disse que "o fato investigado aconteceu após as 20h, e por isso seria ilegal se a reconstituição ocorresse antes". À noite, chegaram para participar da reconstituição.

O corpo de Juan foi encontrado na quinta-feira, perto de um rio, a 18 km de onde ele morava. O irmão do garoto, Weslley, de 14 anos, era esperado na reconstituição, mas não compareceu. Já o vendedor Wanderson da Silva Assis, de 19 anos, chegou ao beco em uma cadeira de rodas e usando máscara. Baleado, ele recebeu alta do hospital só na segunda-feira e precisa de muletas para ficar de pé.

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