JB Neto/AE
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Nova testemunha causa reviravolta no caso de jovem morto por Land Rover

Vizinha do local do acidente, jornalista diz à polícia que quem dirigia o jipe que atropelou Vitor Gurman era namorado de acusada

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2011 | 00h00

Depoimento prestado ontem à Polícia Civil causou reviravolta na investigação do atropelamento que matou no dia 23 o administrador Vitor Gurman, de 24 anos. Vizinha do local do acidente, a jornalista Ingrid Basílio, de 48, afirmou que o motorista do Land Rover que atingiu o rapaz era o engenheiro Roberto Lima e não sua namorada, a nutricionista Gabriella Guerrero Pereira.        

 

O depoimento contraria o que a nutricionista disse a policiais militares que atenderam a ocorrência. A morte do rapaz após seis dias em coma causou comoção e levou 400 pessoas a protestar no sábado à noite na Vila Madalena, zona oeste.

A nova testemunha mora em um prédio de seis andares, a 20 metros do local do acidente, na Rua Natingui. Ingrid afirmou ter sido "uma das primeiras" a chegar ao local, antes mesmo da PM, e contou ter visto Gabriella e Lima antes de serem tirados do veículo capotado. "Vi que ele estava no lugar do condutor. Era ele, não ela. No lugar do motorista estava ele e ela (estava) por cima. Ficou claro. Não tenho dúvida disso", disse Ingrid, após depor no 14.º DP (Pinheiros).

Ao chegar ao local, a jornalista diz ter visto um carro parado ao lado do Land Rover, com amigos do casal, que prestavam socorro. Eles teriam tentado convencê-la de que quem dirigia era Gabriella, não Lima. "Ela (Gabriella) ficou tentando, ela e um amigo, convencer toda a gente que estava ali de que era ela quem estava dirigindo."

PMs que atenderam a ocorrência afirmaram que Lima estava "visivelmente embriagado". Laudo clínico mostrou que Gabriella estava alcoolizada. Nenhum dos envolvidos no capotamento, segundo Ingrid, socorreu Gurman.

A jornalista afirma ter se apresentado à polícia apenas ontem porque "esperava constar da lista de testemunhas". Mas seu nome não está no Boletim de Ocorrência. "Deixei nome, telefone, RG com os PMs e não fui chamada. Fiquei angustiada e entrei em contato com a família. Quando ele morreu, descobri que tinha amigos em comum, mas na hora do acidente não sabia. É meu dever dizer o que vi." A PM afirmou que "seu posicionamento é o que consta do B.O.".

"O que a família quer é responsabilizar o efetivo responsável pelo crime", disse o advogado dos Gurmans, Alexandre Venturini.

Defesa. O advogado da nutricionista, José Luiz Oliveira Lima, disse que a testemunha não diz a verdade. "Quem dirigia o Land Rover era Gabriella. Testemunhas que socorreram Gabriella, Roberto e Vitor confirmarão isso." Segundo o advogado, PMs que chegaram após o acidente atestam a versão de sua cliente. "Em depoimento, eles contaram que pessoas que socorreram as vítimas disseram textualmente que era Gabriella quem dirigia." / COLABOROU WILLIAM CARDOSO

 

PONTOS-CHAVE

Atropelamento foi em rua da Vila Madalena

O acidente

Na madrugada de 23 de julho, o administrador de empresas Vitor Gurman é atropelado por um Range Rover na Rua Natingui, Vila Madalena. Ele morreu no dia 28.

A versão

A nutricionista Gabriella Guerrero Pereira diz que dirigia o carro, de seu namorado, o engenheiro Roberto Lima, pois ele havia consumido bebidas alcoólicas.

O veículo

Avaliado em R$ 300 mil, o jipe era blindado. Segundo a polícia, desde dezembro já acumulava várias multas, algumas por excesso de velocidade.

 

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