Vagner Aquino
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Covid: nova regra reduz público na Vila Madalena, mas parte dos bares fica aberta após horário

Para evitar aglomerações, a partir das 20 horas bares devem fechar e restaurantes precisam encerrar venda de bebida alcóolica em São Paulo; restrições começaram a valer neste sábado

Vagner Aquino, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2020 | 22h44

SÃO PAULO - Começaram a valer neste sábado, 12, as novas regras de funcionamento para bares na cidade de São Paulo, estabelecidas para frear o avanço da covid-19. Uma parte dos estabelecimentos da Vila Madalena e de Pinheiros, áreas boêmias da zona oeste paulistana, fechou às 20 horas, como prevê a norma da quarentena. Outros bares, porém, mantiveram as portas abertas - alguns alegaram que poderiam continuar funcionando por se enquadrarem na categoria de restaurante, com permissão para ir até 22 horas. 

O arquiteto Fábio Monteiro reconhece o risco do contágio pelo aumento de casos do novo coronavírus no Brasil, mas diz que não justifica parar de vender bebida alcoólica nós bares depois das 20h. "O que isso tem a ver com a não propagação do vírus? Ou restringe a saída da população de casa, ou não restringe. A partir do momento que eu saí de casa, não concordo em ter hora pra voltar, como fica o meu direito de ir e vir? Mas, já que alguns bares fecharam, continuaremos por aqui, em busca dos abertos", enfatiza.

O Estadão percorreu as ruas da Vila Madalena e de Pinheiros e flagrou pelo menos 15 bares abertos após as 20h horas nos dois bairros. No caso de restaurantes, é possível funcionar até 22 horas, mas sem venda de bebida alcóolica depois das 20 horas. 

Foi justamente o que aconteceu no estabelecimento Coutinho, na esquina com as ruas Fradique Coutinho e Aspicuelta. Enquanto a reportagem conversava com um funcionário para entender o motivo de estar aberto mesmo após às 20h, duas clientes chegaram ao local sondando a venda de bebidas alcoólicas - o que não ocorreu.

Sem se identificar,  funcionário relatou que o estabelecimento se enquadra na categoria restaurante e, por isso, continuava de portas abertas. Por volta das 20h30, o Estadão não testemunhou a ida de nenhum dos fiscais da Prefeitura ou mesmo a Guarda Civil  Metropolitana ao local para verificar verificar se algum cliente consumia bebida alcoólica no horário ou os documentos de funcionamento do loca. 

Alguns estabelecimentos da região preferiram não comentar a decisão do governo. Muitos, aliás, reclamaram do impacto que isso gera na economia, afinal, as contas continuam com necessidade de pagamento.

Nem todos os locais cumprem distanciamento entre clientes

Além de horário de fechamento, os estabelecimentos devem cumprir todas as regras sanitárias exigidas pelos órgãos de saúde. É necessário aferir a temperatura dos clientes logo na entrada dos estabelecimentos, ter álcool em gel à disposição e, no interior do local, ter distanciamento mínimo entre as mesas de 1,5 metro. Nada de clientes em pé ou com mesas que reúnam mais de seis clientes. Muitas dessas medidas, entretanto, não estava sendo praticadas nos bares e restaurantes que o Estadão percorreu neste sábado.

As novas limitações de horário e funcionamento também abrangem lojas de conveniência. Lá, onde os clientes podem permanecer em pé, bebidas álcoolicas também não podem ser vendidas após às 20h desde a meia-noite deste sábado. O Estadão tentou contato com a Prefeitura para falar sobre o primeiro dia de funcionamento das novas regras e balanço de multas, mas não obteve retorno. 

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