Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Nova pane dobra tempo de espera na Linha 9 da CPTM

Já houve ao menos 50 falhas pontuais na rede neste ano; companhia diz que as próprias obras de modernização podem causar problemas

BRUNO RIBEIRO, FELIPE TAU, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2012 | 03h02

Uma nova pane na Linha 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) fez mais do que dobrar o tempo de espera pelos trens na manhã de ontem e superlotou as plataformas de embarque. A falha, que durou quase oito horas, ocorreu na rede aérea de transmissão de energia, que já passa por obras para minimizar falhas.

Ao todo, já foram ao menos 50 falhas pontuais como a de ontem na CPTM só neste ano. A contagem da companhia para ocorrências graves - que paralisam uma linha inteira - está em 16 panes. Estimativa da própria CPTM fala em 89 mil pessoas prejudicadas pelos problemas de ontem.

Embora nenhum dos usuários tenha ficado sem transporte, todos acabaram atrasando a viagem. A professora de Educação Física Andressa Jacqueline de Souza, de 24 anos, por exemplo, saiu às 7h da Estação Grajaú, na zona sul, com destino à Estação São Joaquim, da Linha-1 Azul do Metrô, no centro, perto da faculdade onde estuda. Precisava chegar às 8h para a aula, mas às 9h15 ainda estava na Estação Pinheiros da CPTM - normalmente, leva meia hora. Depois de uma viagem espremida e muito mais lenta do que o normal, desistiu de ir à faculdade. "A lotação é desumana, não tem para onde correr."

O diretor de Relacionamento da CPTM, Sérgio de Carvalho, disse que o problema na rede aérea obrigou a interrupção da circulação dos trens na via sentido Grajaú entre as Estações Berrini e Autódromo. O intervalo, que normalmente é de 4 minutos nos horários de pico, ficou, na média, em 10 minutos das 5h30 à 12h50.

Panes. A CPTM justificou as sucessivas falhas de operação na rede argumentando que os trens têm registrado aumento de passageiros e ressaltando que herdou estruturas sucateadas, o que resultou no fechamento de estações da Linha 9 nos fins de semana, e até sabotagem - no caso, em duas panes ocorridas no mesmo dia, 20 de abril.

Descartando a última justificativa, ontem o diretor Carvalho reforçou os demais argumentos e acrescentou mais um. "As próprias intervenções que estamos realizando nessa linha são uma dificuldade que enfrentamos. Estamos alterando a tecnologia que utilizamos hoje e isso também é uma condição que pode causar uma ocorrência (de pane). Essa mudança deveria ser feita com os trens sem circular. Mas isso é impensável em uma metrópole como essa." Ele disse, no entanto, que técnicos ainda estão investigando a causa exata da falha na rede aérea.

Para o professor do Departamento de Engenharia de Transportes da USP Telmo Giolito Porto, especialista em transporte sobre trilhos, a forma como a modernização está sendo feita, com a rede sendo desligada e ligada diariamente, pode, sim, causar as panes. "Se você liga e desliga sua geladeira todo dia, pode ser que um dia ela não ligue mais", compara. Ele afirma que a falta de conexões da rede prejudica os serviços. "Em Paris, Nova York, quando há uma obra em uma estação, há indicativos nas estações dizendo para o passageiro seguir por outra linha. Aqui, não dá", afirma.

O Ministério Público Estadual solicitou informações à CPTM sobre a pane. O documento também pede dados sobre a fiscalização das obras em andamento.

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