Nova obra do Metrô será a céu aberto

Para evitar acidentes como o da cratera de Pinheiros, empresa adotará novo padrão construtivo na Estação Adolfo Pinheiro

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

23 Julho 2011 | 00h00

Após dez meses de espera, começam na manhã de hoje as obras de prolongamento da Linha 5-Lilás do Metrô (que vai da Estação Largo 13 à Chácara Klabin). Imóveis serão demolidos para instalação de um canteiro de obras na região de Santo Amaro, na zona sul. Mas o atraso no início da construção vai fazer com que apenas uma estação seja inaugurada até o fim da atual gestão estadual, em 2014.

A previsão é que a futura Estação Adolfo Pinheiro seja entregue no segundo semestre de 2013. As obras do prolongamento começaram justamente pelo lado desta estação, a partir do Largo 13, no fim de 2009. Mas outra parte delas teve o processo paralisado após denúncias de fraude em outubro do ano passado e só foi retomado em maio.

A previsão é que 12.250 passageiros passem inicialmente pela Estação Adolfo Pinheiro, que deve ser construída na avenida homônima e cujos croquis, obtidos exclusivamente pelo Estado ilustram esta página. Quando o trecho até a Chácara Klabin estiver concluído, esse número deve triplicar.

A Adolfo Pinheiro será a primeira estação construída totalmente a céu aberto. Serão perfurados cinco "poços de escavação", que ficarão um ao lado do outro. Sobre eles os operários vão começar a construção - de baixo para cima. Todas as outras estações foram construídas com um único poço e, a partir do fundo, eram feitas escavações. O novo método é considerado mais seguro e evita, por exemplo, acidentes como o na cratera da Estação Pinheiros, em 2007.

Perfil. A estação estará a cerca de 800 metros da parada Largo Treze (já em operação) e a viagem nesse trecho deve ser feita em um minuto. A plataforma dos trens ficará a 16 metros de profundidade. A estação terá dois níveis: plataformas e mezanino. Assim como as mais recentes estações, haverá portas de plataforma nas estações - barreiras de vidros que só abrem após a chegada dos trens.

Ao contrário da polêmica Estação Angélica-Pacaembu (Linha 6-Laranja), que acabou se tornando mais simples, com apenas um pequeno "buraco" para não impactar visualmente o entorno, o Metrô retoma com a Adolfo Pinheiro o modelo de estações grandes. "Não vamos mais ter salas técnicas subterrâneas. Serão todas na superfície, para atender às novas medidas de segurança. Por isso, as estações serão maiores", diz o presidente do Metrô, Sérgio Avelleda.

O prolongamento da Linha 5-Lilás terá 11,4 quilômetros e 11 estações até a Chácara Klabin (onde o ramal vai permitir que os passageiros façam conexão com a Linha 2-Verde). O cronograma inicial divulgado pela Secretaria dos Transportes Metropolitanos, em 2008, apontava que quatro estações estariam prontas até o ano passado. Agora se calcula que todo o prolongamento não fique pronto antes de 2015.

PPP. Para adiantar as obras de algumas linhas, o Metrô está analisando a possibilidade de passar a operação dos novos ramais para a iniciativa privada - a exemplo do que já ocorre na Linha 4-Amarela.

Os primeiros estudos envolvem a Linha 6-Laranja, que vai ligar a Estação São Joaquim (na Linha 1-Azul) até a Vila Brasilândia, na zona norte da capital. A companhia informa que, por enquanto, não há estudos para a concessão da 5-Lilás, mas a ideia não está descartada.

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