Rafael Arbex / ESTADAO
Rafael Arbex / ESTADAO

Força-tarefa ouve colegas de policial morto

Assassinato de PM seria o estopim da chacina de 18 pessoas, a maior da história de São Paulo

Alexandre Hisayasu, O Estado de S. Paulo

16 de agosto de 2015 | 22h19

Dois policiais militares que trabalhavam diretamente com o cabo Avenilson Pereira de Oliveira devem ser chamados no começo da semana para prestar esclarecimentos à força-tarefa que investiga a maior chacina da história de São Paulo. O crime aconteceu na noite da última quinta-feira e deixou 18 mortos e seis feridos, em Osasco e Barueri, na região metropolitana.

Pereira pertencia à Força-Tática do 42.º Batalhão da PM de Osasco, que é um grupo treinado para ocorrências mais violentas com bandidos. Ele foi assassinado, no dia 7, em um posto de gasolina da cidade, quando foi surpreendido por dois ladrões que assaltaram o local. A dupla usou a arma do policial para matá-lo. A principal suspeita das investigações é que PMs, com o objetivo de vingar a morte do colega, seriam os responsáveis pelas mortes em série.

Os suspeitos do homicídio do policial foram identificados e estão sendo procurados. Thiago Santos Almeida, de 26 anos, e Wagner Rodrigues, de 27, tiveram a prisão temporária de 30 dias decretada pela Justiça e são considerados foragidos. 

Outras hipóteses para a chacina são a morte de um guarda municipal ou disputa por pontos de tráfico de drogas.

Perfil. Com os esclarecimentos dos dois colegas de Pereira, a força-tarefa espera conseguir traçar um perfil dele para tentar chegar a uma possível motivação para os crimes.

A partir de hoje, policiais do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), da Delegacia Seccional de Osasco e da Corregedoria da PM começam a ouvir depoimentos de testemunhas e parentes das vítimas da chacina. Se houver condições, os sobreviventes também serão ouvidos. O Ministério Público Estadual vai acompanhar as investigações com o objetivo de agilizar eventuais pedidos à Justiça.

Duas testemunhas foram ouvidas já na noite de quinta-feira. No final de semana, a Secretaria da Segurança Pública divulgou que o Instituto de Criminalística localizou um novo tipo de calibre nos projéteis encontrados nos locais das mortes: cápsulas de pistola .45. Os atiradores também utilizaram armas de calibre .38, 380 e 9 mm.

Os policiais já têm novas imagens de câmeras de segurança que mostram as placas dos carros dos criminosos. Um trabalho de limpeza de imagem está tentando identificar as letras e os números. Em alguns ataques, os mesmos atiradores que usavam máscaras apareceram com os rostos à mostra. O trabalho de identificação dos assassinos também já começou. O material não foi divulgado para não atrapalhar as apurações.

Protesto. Na tarde de ontem, cerca de 50 pessoas fizeram um ato em frente a um bar em Osasco no qual oito das vítimas foram mortas. O grupo levou flores, acendeu velas e exibiu cartazes com as fotos das vítimas.

“Todos estão assustados. O ato foi para pedir paz na periferia e que seja feita justiça”, disse Igor Gonçalves Pereira, de 19 anos, presidente da União dos Estudantes de Osasco e organizador do protesto. Desde sexta-feira, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) determinou que o policiamento fosse reforçado na região das mortes, em Osasco. / COLABOROU FABIO LEITE


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