Nova Luz deve desapropriar 89 imóveis

Número se refere apenas a melhorias urbanas, como calçadões e ciclovias previstos no projeto

Rodrigo Brancatelli e Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2010 | 00h00

O projeto que pretende revitalizar a cracolândia e transformar a região com bulevares e praças inspiradas em Barcelona e Nova York deve levar à desapropriação de pelo menos 89 imóveis - sendo 3 estacionamentos, 27 prédios e 59 galpões ou loja. Esse número diz respeito apenas às melhorias urbanas, como a criação de parques, ciclovias e calçadões.

A maior parte das desapropriações, segundo o governo, virá de investimentos do mercado imobiliário, que poderá construir em mais de 20 quarteirões. O Estado cruzou as plantas divulgadas pela Prefeitura na semana passada com mapas de satélite da região para traçar os perímetros que poderão ser desapropriados para a reurbanização.

O governo municipal já recebeu do consórcio responsável pelo estudo urbanístico da Nova Luz o mapa preliminar das desapropriações e o estudo de viabilidade econômica do projeto, que mostra onde e quanto o mercado imobiliário poderá lucrar na área - os dois trabalhos ainda não foram divulgados. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano informou que ainda não é possível precisar o número total de desapropriações, porque os estudos não estão completos e haverá audiências públicas.

Perfil. Entre as informações divulgadas na apresentação da primeira fase do projeto está um mapeamento que aponta quem é o morador da região da Luz atualmente e também o perfil que o consórcio espera atrair para viver na Nova Luz. Atualmente, diz o estudo, cinco tipos de moradores vivem na cracolândia: pequenos proprietários de empresas que trabalham de casa, comerciantes de lojas de eletrônicos, de motos, imigrantes legais e pessoas que vivem há anos no local e são proprietárias de pequenos negócios.

Para cada perfil são apontadas soluções para o futuro. Ao imigrante legal, por exemplo, que hoje tem dificuldades em pagar aluguel, o interesse é nas futuras moradias sociais; para os residentes de longa data, que sentem falta de mercado e padaria perto de casa, o projeto prevê mais desse tipo de comércio.

Também são apontadas "duas gerações" de futuros moradores quando o projeto sair do papel: os "pioneiros", primeiros a se mudar para a região, e os "seguidores", que viriam quando as melhorias na área estivessem consolidadas. Entre os pioneiros, são apontados professores, ilustradores, grafiteiros, consultores, diretores de empresas que seriam instaladas no local - que veem a Nova Luz como oportunidade, mas apontam preocupação com o tempo de execução do projeto. Num segundo momento, são esperadas pessoas interessadas no polo cultural da região, empreendedores e proprietários de empresas médias de tecnologia da informação.

 

 

 

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