Nova lei seca esvazia bares da Vila Madalena

Movimento na região caiu pela metade, segundo os empresários da região

DIEGO CARDOSO, O Estado de S.Paulo

23 Março 2013 | 02h06

Desde que as regras da lei seca ficaram mais rigorosas para motoristas, a boêmia Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo, ficou mais vazia.

As novas regras reduziram em 50% o movimento de consumidores nos bares e restaurantes da região, afirma o representante da Associação de Gastronomia, Entretenimento, Arte e Cultura da Vila Madalena (Ageac), Flavio Pires. Em alguns bares, funcionários foram demitidos e o horário foi reduzido.

Desde 29 de janeiro, o motorista que for flagrado com qualquer nível de álcool no sangue é autuado por infração gravíssima, com multa de R$ 1.915,30. Se o teor alcoólico superar 0,34 mg por litro de ar, o infrator também responde a processo criminal. Caso o condutor se negue a fazer o teste do bafômetro, o agente de trânsito pode atestar seu estado de embriaguez.

Na Vila Madalena, taxistas e clientes relatam blitze frequentes. O gerente de vendas Carlos Afonso Lopes Júnior, que não bebe,j á resgatou vários amigos retidos pela fiscalização. "Tenho amigos que evitam vir pra cá por causa da lei seca. Depois desse aperto que houve, a frequência diminuiu bastante."

Quem não arrisca dirigir sob efeito de álcool tem poucas opções de transporte. O horário de funcionamento da Estação Vila Madalena do Metrô, da Linha 2-Verde, opera até 0h14 nos dias de semana e 1h de sábado para domingo. A frequência das linhas de ônibus na região é menor depois da 0h. Sobram os táxis, que nem todos podem pagar e que ainda assim não são suficientes para atender à demanda. Na noite de quinta-feira, de seis pontos de táxi procurados pela reportagem, apenas dois atenderam às ligações.

"Os comerciantes estão desanimados com essa situação. A gente concorda com a legislação, mas o órgão público precisa dar uma estrutura adequada de transporte", diz Flavio Pires. Segundo ele, nenhum representante do Estado procurou os empresários para propor soluções ou explicar a nova lei seca.

Na falta de clientes, a vida noturna da região tenta se adaptar. Dono do Bar Jacaré Grill há 22 anos, Marcelo Silvestre diz que este mês o movimento caiu entre 30% e 40%, com forte redução no consumo de cerveja. "Perdi muitos clientes. Não temos transporte público para ter uma lei como essa." Ele e outros empresários da região tentam criar soluções para atrair o público, como oferecer, de graça, jantar e cerveja sem álcool, sem muito sucesso. Os empresários da Vila Madalena devem se reunir para planejar uma campanha sobre a lei seca voltada ao consumidor, diz o representante da Ageac.

O comportamento do funcionário público Daniel Bertelli reflete a atitude de frequentadores da região. Ele prefere passar a noite à base de refrigerante. "Dirijo moto. Qualquer quantidade de álcool interfere." Colegas de Bertelli acabam bebendo em outros lugares menos visados ou em casa. O Detran disse que há "aproximação e envolvimento com os empresários".

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