Estado pede excomunhão de padre PM

Tenente-coronel Osvaldo Palópito é acusado de desviar R$ 2 milhões da Capelania da corporação

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

27 Maio 2015 | 14h22

SÃO PAULO - A Secretaria de Estado da Segurança Pública pediu a excomunhão do ex-capelão da PM, o tenente-coronel e padre Osvaldo Palópito. De acordo com Alexandre de Moraes, chefe da pasta, o policial militar da reserva foi preso nesta terça-feira, 26, acusado de desviar cerca de R$ 2 milhões de recursos da Capelania Militar da corporação. Ele está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na região do Tremembé, na zona norte de São Paulo.

O pedido de prisão do oficial foi feito pela Corregedoria da Polícia Militar. Em fevereiro, o Estado revelou que o PM, hoje no quadro de reserva com uma aposentadoria de R$ 16.377,51, já estava sendo investigado por improbidade administrativa. Ele pediu a passagem para a reserva no dia 31 de janeiro. 

Além de pedir para que a Igreja Católica expulse o padre, a o governo estadual também quer o oficial fora do quadro de servidores do Estado. O dinheiro que ele subtraía era o dinheiro da igreja, dos fiéis, o dízimo que ele subtraia para ele", explicou o secretário Moraes. Palópito era o responsável pela Paróqui Santo Expedito - santo que foi militar -, na Rua Jorge Miranda, na Luz, na região central de São Paulo. Neste endereço, ao lado de outros prédios da PM como o quartel do BPChoque, fica a Capelania. 

O prédio foi erguido nos anos de 1940, com doações feitas pelos integrantes da antiga Força Pública, corporação que deu origem à Polícia Militar. O caso evolvendo o oficial fez co Comando da Polícia Militar extiguir o cargo de capelão. A decisão foi tomada entre Moraes e coronel Ricardo Gambaroni, comandante geral da PM no Estado de São Paulo. "Nós conversamos sobre a desnecessidade desse cargo até em virtude da plueralidade religiosa", afirmou o secretário Moraes. A reportagem não localizou nenhum advogado de Palópito

Investigação. A investigação contra o religioso militar começou em setembro de 2014, com a quebra dos sigilos bancário e telefônico de Palópito. As suspeitas contra ele datam de 2009, mas os indícios surgiram recentemente. Uma operação de busca e apreensão em uma casa do ex-capelão, no litoral norte de São Paulo, forneceu pistas que fortaleceram o Inquérito-Policia Militar (IPM).

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