Nova crise faz cúpula tentar enquadrar oficiais

O afastamento dos dois oficiais, depois da morte do motoboy, foi entendido pelos coronéis da Polícia Militar como um aviso de que casos de violência não serão mais tratados como rotina. É preciso que os oficiais exerçam a supervisão de seus homens. A mensagem é dirigida a tenentes-coronéis, majores e capitães. O comandante-geral da PM, coronel Álvaro Camilo, enviou ontem de Brasília, onde estava, uma mensagem por e-mail aos coronéis. Chamou a atenção sobre a instrução e a supervisão da tropa. A crise move a reação do comando. Camilo prepara uma reunião com todos os oficiais acima de capitão ainda nesta semana. Vai deixar claro que quem não se enquadrar vai ganhar uma escrivaninha onde comandará papéis em vez de soldados.

Bastidores: Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2010 | 00h00

Entre os coronéis - há 54 - predominou, apesar da surpresa, o apoio ao afastamento do tenente-coronel Gerson Miranda e do capitão Alexander Bento. "Acabei de me reunir com o capitão que vai supervisionar o policiamento hoje (ontem) à noite. Isso é função do comando", disse um coronel. Outro foi mais longe e afirmou que também o chefe do 9º Batalhão, na Casa Verde, devia ter sido afastado há um mês, quando policiais de lá mataram outro motoboy. Esse mesmo coronel espera mais mudanças nos batalhões em maio, com a saída de oficiais pouco comprometidos com a instituição. Tudo o que a PM não quer é a volta do clima da época do caso da Favela Naval, quando, diante das cenas de violência em Diadema, o então governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), propôs o fim da corporação. De lá para cá, a luta dos comandantes é convencer a sociedade de que a polícia mudou. "É isso que alguns oficiais não entendem."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.