Nova cobrança precisa ser adotada por 80% da frota

Na avaliação de grupo da Artesp que estuda as mudanças, adesão menor tornará tecnologia inviável do ponto de vista financeiro

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

27 Julho 2011 | 00h00

O novo modelo de cobrança de pedágio por quilômetro rodado nas estradas paulistas só será possível se 80% dos veículos que utilizam as rodovias aderirem às tags ou outra tecnologia escolhida para a mudança. Uma adesão menor seria insuficiente para manter financeiramente o novo modelo.

O diagnóstico é do grupo de trabalho da Agência Reguladora dos Serviços de Transporte de São Paulo (Artesp), que recomenda ainda outras mudanças no atual sistema do Sem Parar.

"O índice de 80% é um padrão que verificamos nos principais locais do mundo que mudaram a forma de cobrança", disse o assessor de tecnologia da informação da Artesp, Giovanni Pengue Filho.

A cobrança automática é atualmente feita pelo sistema Sem Parar - que cobra uma taxa de adesão e manutenção e a única vantagem para o motorista é não parar nas filas. Os cálculos das concessionárias apontam que 55% da receita com valores pagos seja do modo automático, enquanto o restante vem de veículos que param nas praças para fazer o pagamento.

Concessão. O Sem Parar é um prestador de serviços para as concessionárias que administram as rodovias. Com a mudança, o serviço de cobrança automática vai tornar-se concessão pública - o governo estadual vai escolher a tecnologia ideal e também quem vai operá-la.

O objetivo com as mudanças é no futuro adotar em todas as rodovias modelos como o chamado free-flow - em que a cobrança é praticamente toda automática (mais informações no quadro acima). Os usuários usam chips que são lidos nos pórticos colocados nas rodovias e a cobrança ocorre por débito em conta, com o consumo de créditos adquiridos anteriormente ou mesmo enviando um boleto para a casa das pessoas. Outro objetivo é aumentar a fluidez - enquanto 250 veículos passam por uma praça de pedágio manual por hora, com a cobrança automática seriam 850 no mesmo período.

"Precisaremos manter algumas praças, pois é grande o número de pessoas que não têm conta em banco ou são de outros Estados e que passam por São Paulo, diz a diretora-geral da Artesp, Karla Bertocco Trindade.

No fim do processo, a cobrança seria feita por trecho, cujo objetivo é fazer uma quantidade maior de usuários do que a atual pagar pedágio, o que baratearia a tarifa para os motoristas que já pagam a cobrança.

Um exemplo clássico citado pelas concessionárias é o da Rodovia Presidente Dutra - que é federal -, onde a maior parte dos usuários não paga pedágio, pois faz trechos curtos em que não há praças, como entre São Paulo e Guarulhos.

Valor menor. Para isso, o grupo recomenda "massificar" as tags, justamente para que um número maior de usuários tenha o equipamento e viabilize a mudança. "Evidentemente não vai haver redução na tarifa, mas uma ampliação da base de cobrança, o que vai beneficiar as pessoas que hoje já pagam pedágio, que aí, sim, poderia ser reduzido", disse o presidente da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), Moacyr Duarte.

O diretor da empresa responsável pelo Sem Parar, Pedro Donda, afirma que também é preciso um esforço para regularizar os veículos. "Temos hoje um terço da frota que não paga impostos e está irregular. Se não houver uma fiscalização forte, você simplesmente vai retirar as barreiras para eles viajarem sem pagar a tarifa", disse.

LÁ TEM...

Holanda

Em 2012, começa a cobrança de pedágio urbano no país. Todas as estradas vão recolher a taxa, até dentro de cidades. A tarifa será cobrada por distância percorrida, veículo, vias usadas, horário e categoria poluidora.

Alemanha

Pedágio é cobrado apenas para caminhões com peso superior a 12 toneladas.

Estados Unidos

Em Austin, no Texas, não há praças de pedágio. Ao passar por um ponto de cobrança, o sistema automático detecta os dados e envia a cobrança por correio para os usuários que não tenham tags, a etiqueta eletrônica.

 

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