Nova Central do Brasil vai juntar antigo e moderno

Obra de R$ 300 milhões atualiza arquitetura nas plataformas e recupera características protegidas no prédio histórico

HELOISA ARUTH STURM / RIO, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2012 | 03h05

A estação Central do Brasil, símbolo da arquitetura art déco no Rio e um dos principais cartões-postais da cidade, passará por uma grande modernização. Apostando no potencial de recuperação da área que se tornou foco de intervenções urbanas em preparação para a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016, a Supervia, concessionária de trens urbanos, vai investir R$ 300 milhões na obra. O investimento faz parte da estratégia da empresa para recuperar, até 2020, as 99 estações sob sua responsabilidade.

"Vamos ter ali a nossa Grand Central Station", afirma o presidente da SuperVia, Carlos José Cunha, referindo-se à famosa e quase centenária estação de Nova York, ponto turístico que atrai anualmente mais de 21 milhões de visitantes.

Construída entre 1937 e 1943 para substituir a antiga estação D. Pedro II, de 1858, a Central do Brasil é uma das mais representativas obras do Estado Novo. A composição em estilo aerodinâmico e o coroamento escalonado da torre são de autoria de Roberto Magno de Carvalho e de dois arquitetos do escritório Robert Prentice, os húngaros Gèza Heller e Adalberto Szilard.

Recuperação. Como parte do conjunto arquitetônico é tombada, o projeto atual de modernização ainda precisa passar pelo crivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Após a aprovação, espera-se que as obras estejam concluídas em dois anos.

A edificação histórica será mantida e restaurada. É ali que serão recuperadas as gravuras e os afrescos que decoram as paredes em pé-direito alto, como a pintura que homenageia o engenheiro Cristiano Benedicto Ottoni, o primeiro diretor da Estrada de Ferro D. Pedro II. Ali também passarão por um cuidado especial o piso de granito, as paredes de mármore que emolduram os guichês das antigas bilheterias e as escadarias do salão principal, protegidas por grades de ferro batido.

Reforma. Já a parte não tombada passará por transformações: a área de embarque e desembarque será ampliada, assim como as 13 plataformas, que ganharão cobertura de estrutura metálica com vidro. Além de garantir iluminação natural, essa cúpula de vidro também permitirá ver a torre do relógio, de 134 metros. "A altura da nova cobertura tem um certo gigantismo, justamente para manter a grandiosidade da nave central", explica o arquiteto Aníbal Sabrosa Gomes da Costa, da RAF Arquitetura, responsável pelo projeto.

Na área da nova cobertura será construído um centro comercial de 36 mil metros quadrados. A nova área abrigará ainda um hotel e um centro cultural e outro de convenções.

Embora usuários e comerciantes reconheçam uma melhora no sistema de trens nos últimos dois anos, os passageiros ainda sofrem com problemas de superlotação em algumas linhas.

Há casos, como nos trens que seguem para Japeri, na região metropolitana do Rio, em que passageiros embarcam pela janela. O trem já sai lotado da Central do Brasil. "É mulher brigando com mulher, homem empurrando todo mundo, para poder entrar e sentar", disse a vendedora Elaine Santos, de Nova Iguaçu.

O vaivém é frenético. "Acho maravilhoso trabalhar aqui, mas você sai extremamente extenuado. É muita correria, já teve até mãe esquecendo o filho nessa banca", lembra o jornaleiro Carlos Barros, há 12 anos no local.

Pela Central passam 600 mil pessoas por dia - 15% dos usuários do transporte do Rio. A Central abriga a maior estação de metrô da cidade e dois terminais rodoviários. Com a obra, vai atrair 1 milhão de pessoas. / H.A.S.

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