Nova audiência faz moradores marcarem protesto

Ato está previsto para a Av. Paulista no dia 14, mesma data em que a Assembleia Legislativa vai discutir o traçado do Trecho Norte

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2011 | 00h00

Moradores e entidades civis descontentes com o traçado apresentado pelo governo do Estado para o Trecho Norte preparam manifestação na Avenida Paulista. O ato, marcado para o dia 14, às 12h, na frente do vão livre do Masp, ocorre horas antes de audiência pública marcada para a Assembleia Legislativa.

"Queremos reunir todos as atingidos direta e indiretamente pela obra, que é na verdade a cidade toda. A região é o cinturão verde de São Paulo", afirma a bióloga Daniele Marques, presidente da Associação Cultural e Ambiental Chico Mendes, que está envolvida nos debates. Os manifestantes devem marchar da Paulista até a Assembleia, no Parque do Ibirapuera. "Não é só pelo fato de ter dinheiro público. O projeto deve ser debatido de forma aberta."

A consultora em vinhos Sonia Denicol, de 47 anos, acredita na mobilização para tentar convencer o governo do Estado sobre os impactos. Sonia reside no Jardim Itatinga, condomínio de luxo cujas casas - como a de Sonia - ficarão a menos de 70 metros das torres de sustentação da pista. "Não estou simplesmente pleiteando a preservação da minha casa. Estou preocupada com essa mata que vai embora e com os riscos futuros com a poluição sonora e do ar," diz ela, que mora há sete anos no local. "A gente não é contra o Rodoanel, mas contra a proposta de traçado."

Ação judicial. Os moradores do condomínio encomendaram o laudo independente que critica o traçado, além de terem contratado um advogado para representá-los. O defensor Carlos Eduardo de Castro Souza já prevê uma "chuva" de ações judiciais, caso o governo insista em levar adiante esse projeto.

Souza estranha a postura do poder público. "Ninguém tem se manifestado abertamente desde a última audiência pública, em janeiro. Ainda temos esperança de mudança nos planos."

O laudo foi entregue também na Câmara Municipal de São Paulo e três audiências públicas serão realizadas. A primeira ocorre no dia 27, às 10 horas.

Impactos. Além de tratar da incompatibilidade entre a posição das pistas e o limite do Plano Diretor de São Paulo, o estudo aponta riscos de adensamento urbano, o que atingiria a área verde - a Dersa afirma não ter identificado nada no estudo de impacto -, problemas com qualidade do ar e poluição sonora. O documento cita ainda o Clube de Campo da Sabesp e a Vila Histórica Cantareira, área considerada marco zero do parque.

A gestora de projetos Izini Ferraz, de 34 anos, é uma das moradoras da região que demonstram preocupações especiais com essa área. "A gente tem preocupação com moradias e também com os bens coletivos. Estamos buscando de alguma forma apontar para a Dersa onde estão os grandes gargalos do projeto", diz ela, que coordena a Rede de Cooperação da Cantareira. "Não foi feito um estudo de levantamento dos ciclos históricos da Cantareira. E ainda tem as nascentes, a fauna e a flora."

A aposentada Rita Ayres, de 70 anos, que mora em área atingida pela obra, também reclama. "Precisamos de outras coisas aqui. É muito dinheiro para uma única obra."

CRONOLOGIA

2002

Em Estudo de Impacto Ambiental, Dersa prevê Rodoanel cortando a Serra da Cantareira por meio de túneis e viadutos.

Janeiro de 2003

Sabesp e Instituto Florestal dão pareceres desfavoráveis a traçado dos Trechos Norte e Sul e Dersa revê projeto.

Abril de 2003

Governador Geraldo Alckmin decide que Rodoanel não vai mais passar pela Serra da Cantareira.

Dezembro de 2009

Governo estadual lança edital para elaboração do projeto da obra, com sugestão de traçado à beira da reserva florestal.

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